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Ouro: a corrida pela commodity “ainda não terminou”

Ouro: a corrida pela commodity “ainda não terminou”

Ouro: a corrida pela commodity “ainda não terminou”, segundo analista do Standard Chartered Private Bank; há espaço para novas subidas

O ouro subiu em 2020 28,50%. Chegou a passar, dia 4 de agosto, da barreira histórica de US$ 2 mil por onça troy. Essa alta ainda tem um longo caminho pela frente, apesar de seu recente tropeço, disse à CNBC Manpreet Gill, do Standard Chartered Private Bank.

Ele é chefe de estratégia de investimento em renda fixa, moeda e commodities do banco e simplesmente acha que “a corrida do ouro ainda não terminou”.

“Tudo se resume às taxas de juros”, disse.

Além disso, “uma das melhores explicações do motivo pelo qual o ouro subiu da maneira que ocorreu este ano foram os rendimentos dos títulos”.

“Sem a inflação ou o que chamamos de rendimentos reais dos títulos, esses têm sido uma ruptura unilateral e estão alinhados muito bem com o movimento do ouro”, explicou.

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Gangorra do ouro

Depois de chegar à máxima de US$ 2.069,40, em 6 de agosto, o ouro passou a cair.

Mas sempre numa gangorra, nunca despencando.

No fechamento desta segunda-feira (17), ficou com mais 2,56%, a US$ 1.992,45, depois de chegar a recuar a US$ 1.942,75.

Gill disse que a recente retração nos preços do ouro foi explicada pelo aumento nos rendimentos dos títulos do governo.

Os rendimentos do Tesouro dos EUA dispararam no início da semana passada, com os desenvolvimentos positivos da vacina contra o coronavírus aumentando o sentimento de risco.

O rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos foi de 0,691%.

Um aumento nos rendimentos pressiona os ativos não rentáveis, como o ouro, dado o custo de oportunidade de mantê-los.

“Temos um pouco de posicionamento unilateral em ouro e isso na verdade é desfeito muito rapidamente”, explicou.

Comentando sobre o recente aumento nos rendimentos do Tesouro, o estrategista disse: “contanto que os rendimentos fiquem abaixo de 1%, isso realmente não altera nosso longo prazo… Os bancos centrais realmente gostam de fazer tudo o que podem para manter os rendimentos limitados”.

Ótimo ambiente

Ainda assim, segundo a CNBC, Gill acrescentou que é “em última análise um ótimo ambiente” para o ouro.

Primeiramente, deve-se levar em consideração que os bancos centrais façam seu melhor para manter limitados os rendimentos dos títulos.

Além disso, é esperar que a recuperação econômica permaneça no curso esperado.

Na Fitch Solutions, analistas escreveram em nota na sexta-feira (14): “esperamos que os preços do ouro permaneçam apoiados nos próximos meses com o aumento das tensões geopolíticas e uma recuperação econômica global lenta e desigual”.

Como se sabe, o metal é conhecido como “porto-seguro” para investidores em tempos de crise.

Suas expectativas são de que o metal “suba nos próximos meses, de volta ao pico alcançado em agosto de 2020 e mais”.

Apesar disso, a previsão é que o preço do ouro para 2020 fique em US$ 1.850 por onça.

“De uma perspectiva técnica, acreditamos que os preços do ouro permanecem posicionados para cima, respeitando a tendência de alta de longo prazo, já que as preocupações com a economia global permanecem nos próximos meses, apoiando ativos portos-seguros, incluindo ouro”, disseram os analistas da Fitch.

Entretanto, os analistas reconheceram que “surtos de volatilidade e retrações nos preços do ouro ocorrerão durante períodos de forte apetite pelo risco”.

Também há a prata

Além do ouro, há a prata, que também tem se valorizado.

Nas últimas semanas, o preço da onça troy da prata futura (setembro) subiu para atingir seu nível mais alto desde 2013, a US$ 29,26, no dia 10 de agosto.

No ano, o metal já acumula ganhos de 44,23%.

E é bem mais barata que o ouro, valendo em torno US$ 29,60.

Contudo, nada tira do metal precioso o cargo de grande performance de 2020.