A Oi (OIBR3) sempre foi uma das ações mais buscadas por investidores brasileiros de varejo. Recentemente, porém, alguns dos investidores dessa empresa de telecomunicação, que está em recuperação judicial, devem ter se preocupado – a companhia sofreu alguns reveses e o preço do papel que estava quase em R$ 3 no começo do ano recuou e fechou a última sexta-feira (17) a R$ 1,64. Agora, a dúvida que fica é se ainda vale à pena investir ou guardar os papéis.
A queda considerável se deu, majoritariamente, por um motivo: em seu novo plano de recuperação, a Oi anunciou uma dívida maior do que a que era esperada pelo mercado. No dia 19 de julho, quando tornou público suas novas medidas de reestruturação, as ações caíram mais de 20% na B3.
Nem mesmo o resultado da companhia no segundo trimestre de 2021 – que mostrou que ela está conseguindo tirar parte dos planos do papel, voltando a entregar lucros, foi capaz de reverter o pessimismo. Alguns, porém, continuam defendendo a companhia.
Larissa Quaresma, analista da Empiricus, por exemplo, em entrevista ao portal Money Times afirmou que a Oi está conseguindo entregar, de acordo com o balanço do segundo trimestre, resultados com o seu segmento de fibra óptica para casas – que segundo os novos planos da empresa será justamente o seu carro-chefe.
“Esperamos que a receita passe a crescer mais consistentemente a partir do terceiro trimestre, quando a proporção de clientes de fibra será ainda maior que os de cobre, uma tecnologia em desuso”, comentou Quaresma.
A analista apontou também que viu como destaque o fato de que a Oi está conseguindo converter mais clientes nas áreas em que a sua fibra óptica chega, atingindo um take up rate (relação entre as casas que podem ter acesso ao serviço e as que realmente o contratam) de 23,6%, número que se aproxima do objetivo de 25%, que tem de ser atingido até 2024.
“Acreditamos que o resultado mostrou uma evolução operacional interessante, porém, o mercado ainda está cético com o futuro da empresa até a confirmação da venda de ativos e redução dos riscos de execução”, completou.
Risco de execução de novo plano da Oi ainda existe
Mudar o negócio de uma companhia, porém, não é algo tão simples assim. O cenário piora quando se está em recuperação judicial.
A Oi em seu último balanço divulgou que possuía uma dívida líquida de R$ 25,6 bilhões, número um pouco maior do que os R$ 25,1 bilhões do primeiro trimestre. A dívida bruta, porém, avançou com mais força saindo de R$ 26,1 bilhões para em R$ 29,1 bilhões.
Parte disso foi gasto, justamente, com a mudança das operações. Nos últimos dois anos as despesas com o plano de transformação foram de R$ 15 bilhões. Apenas no segundo trimestre deste ano, a mudança operacional demandou R$ 1,8 bilhão.
A dívida da Oi deve cair em breve, assim que a companhia finalizar parte dos seus processos de desinvestimentos, recebendo o dinheiro devido por seu braço de telefonia móvel, que fornecerá R$ 15,8 bilhões para seus caixas, e da parte majoritária da InfraCo, com R$ 12,9 bilhões. As quantias devem cair na conta da tele até o fim do ano. Mas há quem defenda que, mesmo assim, a dívida continuará alta.
Em seu novo plano divulgado, a Oi projetou que sua dívida líquida estará, em 2024, em R$ 14 bilhões. O mercado esperava algo cerca de R$ 5 bilhões abaixo disso. A companhia terá, com isso, um múltiplo de alavancagem (dívida líquida/Ebitda) de 6,6 vezes. Contando o restante da sua participação na InfraCo, que ainda não foi vendida, esse número seria menor, de 3,7.
Os analistas se dividem então entre aqueles que veem a Oi melhorando no futuro – conseguindo tirar seu projeto do papel, diminuindo seu endividamento ao longo da consolidação da reestruturação – e os que que veem a companhia com valor negativo após a divulgação da nova projeção da dívida.
A Empiricus, como já mencionado, vê a Oi conseguindo finalizar a sua reestruturação. “A Oi tem enorme potencial para buscar outras fontes de receita, para além da conectividade, explorando as bases de ativos, de clientes corporativos e de pessoas físicas”, diz Felipe Miranda, economista-chefe da casa de research ao portal Money Times.
O BTG Pactual, em relatório, foi no mesmo caminho. “Vemos as ações da Oi com um desconto excessivo. Estamos confiantes de que as vendas da operação móvel e da empresa de infraestrutura serão concluídas de forma satisfatória e prevemos um bom crescimento proveniente dos negócios de fibra”, disseram os analistas Carlos Sequeira, Vitor de Melo e Osni Carfi.
Do outro lado, o Credit Suisse apresentou visão mais cética sobre a companhia, apontando, justamente, para a alavancagem. Já a Levante Investimentos comentou que a companhia tem o desafio de fechar os seus desinvestimentos – a venda da parte Móvel vem apresentando problemas, com empresas de telecomunicação menores exigindo contrapontos – e de focar no segmento de fibra, setor com cada vez mais competição.
O consenso, então, é que deve haver certa cautela. Realizar um plano de reestruturação não é algo simples, mas, se der certo, a Oi pode voltar a registrar boas valorizações.






