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Embraer (EMBR3): ações valorizam 56%; entenda o que acontece com a empresa

Embraer (EMBR3): ações valorizam 56%; entenda o que acontece com a empresa

Na contramão do setor aéreo, as ações da Embraer (EMBR3) decolaram quase 60% em 2021. Mas o que está acontecendo com a fabricante de aviões?

Na contramão do setor aéreo, as ações da Embraer (EMBR3) decolaram quase 60% em 2021. Mas o que está acontecendo com a fabricante de aviões?

Do primeiro pregão do ano, em 4 de janeiro, até quarta-feira (24) as ações da Embraer (EMBR3) saltaram de R$ 8,37 para R$ 13,10. Ou seja, uma alta de mais de 56%.

No pior momento da pandemia de Covid-19, em março de 2020, a empresa chegou a ter seus papéis negociados a R$ 6,03. Em meados de fevereiro deste ano, chegou a máxima de R$ 29,71.

A efeitos de comparação, as ações de outras duas áreas, Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4), tiveram oscilação bem menores desde o início do ano. Gol subiu 15%, de R$ 23,96 para R$ 20,30, e Azul caiu 5%, de R$ 34,73 para R$ 36,75.

Há a percepção no mercado de que a Embraer pode se beneficiar da demanda por aeronaves menores, para mercados regionais, que foram menos atingidos pela pandemia. Um exemplo é a negociação desse tipo de aeronave com a Lufthansa, confirmada pela Embraer.

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Como a empresa opera não só com o mercado doméstico, mas também o internacional, ela também pode se beneficiar de uma possível recuperação global da economia.

Novos projetos e otimismo com o futuro

Apesar da alta das ações, analistas estão cautelosos com Embraer.

A expectativa é que as entregas de aeronaves comerciais da empresa sejam abaixo da média histórica (mais de 100) para este ano. Uma recuperação completa para os níveis de 2019 só deve ocorrer em 2023. Assim, no curto prazo, a avaliação para o setor aéreo não é otimista.

Em entrevista a Reuters, o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, disse que trabalha ativamente em novas parcerias de desenvolvimento de produtos e espera anunciar em breve as novidades.

Os novos produtos devem visar redução de custos e riscos para a companhia. A expectativa é que o anúncio poderá ser uma nova família de aviões turboélices.

Novos contratos para a empresa, segundo ele, dependem da aceleração da vacinação contra a Covid-19 em todo o mundo. Ele afirmou que há discussões acerca da família E1 especialmente nos Estados Unidos e da família E2 em outros países.

Em entrevista ao Valor, ele disse que a empresa deverá retomar os níveis pré-pandemia somente após 2023. E que, entre 2024 e 2025, a Embraer deve ser mais do que era em 2019. “Fizemos a lição de casa. Estamos muito confiantes nesse planejamento”, disse ele.

BTG (BPAC11) vê tendência positiva

O BTG Pactual (BPAC11) vê uma tendência positiva para a Embraer no ano.

De acordo relatório do banco, a pandemia está causando mudanças importantes que estão remodelando os padrões das viagens aéreas e demanda por novas aeronaves. Assim, a Embraer se destaca em quatro fatores principais:

  • Dimensionamento correto da frota. O que significa uma mudança para aeronaves de menor capacidade e mais versáteis para corresponder às exigências. As empresas buscarão estar mais bem preparadas para qualquer volatilidade na demanda e, talvez, outra crise. Uma frota mais versátil com aeronaves de diferentes capacidades irá mitigar o crescimento mais lento do tráfego;
  • Regionalização. Empresas que buscam proteger suas cadeias de abastecimento de choques externos trarão as empresas mais para perto, gerando novos fluxo de tráfego. Transportadoras afortunadas o suficiente para atender a grandes mercados domésticos ou continentais com poucas restrições de fronteira são susceptíveis de emergir muito mais fortes do que aqueles que dependem de abrir fronteiras internacionais;
  • Comportamento do passageiro. Deve haver uma mudança, com preferência por voos mais curtos e a descentralização de escritórios de grandes centros urbanos exigirá ar mais diversificado redes. As companhias aéreas precisarão revisar suas redes, avaliar suas frotas, oferecer novos soluções, comunicar de forma eficiente e fornecer liberdade de escolha para atrair passageiros; e
  • Meio ambiente. A empresa está reforçando seu foco em aeronaves mais eficientes e mais verdes. Muitas companhias aéreas e OEMs que receberam ajuda do governo enfrentarão um crescimento da pressão para adotar políticas mais ecologicamente corretas.

Resultados da Embraer

No segundo semestre de 2020 a Embraer focou em reduzir despesas com vendas, gerais e administrativas. Assim, as despesas caíram 30%, para US$ 399 milhões ao ano. A companhia também demitiu 2,5 mil funcionários ao redor do país.

A empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 70,2 milhões no quarto trimestre de 2020. O valor é melhor do que o prejuízo de R$ 383,6 milhões no mesmo período de 2019.

Mas a empresa fechou 2020 com prejuízo líquido de R$ 2,31 bilhões. Valor bem maior que o prejuízo de R$ 862,7 milhões de 2019.

A receita líquida da Embraer subiu 14% no 4TRI20, para R$ 9,81 bilhões. Mas caiu 10% no comparativo anual. Assim, passou de R$ 21,8 bilhões em 2019 para R$ 19,6 bilhões em 2020.

Com expectativa de um cenário nebuloso para 2021, a Embraer preferiu não divulgar projeções para este ano.

“Devido à incerteza relacionada à pandemia da Covid-19 e seus impactos na indústria, a companhia decidiu por não publicar suas estimativas financeiras e de entregas para 2021”, afirmou a fabricante de aeronaves no balanço.