A Movida (MOVI3) divulgou nesta quinta-feira (14), um prejuízo de R$ 114,4 milhões no primeiro trimestre de 2020, revertendo o lucro líquido de 42 milhões no mesmo período de 2019.
Segundo a companhia, o resultado foi principalmente impactado pelo impairment realizado devido as incertezas sobre os efeitos do Covid-19 na operação.
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O lucro líquido ajustado somou 55,1 milhões, um desempenho 31,2% superior ao reportado em igual período de 2019.
A margem líquida ajustada atingiu 12,2%, alta 1,1 ponto percentual.
A receita líquida totalizou R$ 1,011 bilhão no período, um aumento de 19,6% em relação ao mesmo período de 2019.
De acordo com a Movida, a expansão da receita é reflexo da adição de 10 mil carros operacionais e o câmbio desvalorizado que beneficiou o turismo interno, elevando a participação de pessoas físicas.
O resultado financeiro foi negativo em R$ 45,2 milhões, um crescimento de 10% sobre as perdas do mesmo período de 2019.
A Movida atribui o resultado ao maior efeito do direito de uso (IFRS16), parcialmente compensado pela queda da taxa básica de juros e otimização dos custos de captação na dívida líquida.
As despesas totalizaram R$ 85,5 milhões no trimestre, um aumento de 14,3% em comparação com igual período de 2019.
Ebtida dispara 55%
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ajustado saltou 55,2% em comparação com o primeiro trimestre de 2019, para R$ 225,1 milhões.
A margem Ebtida ajustado da Movida ficou em 49,8% no trimestre, um incremento de 11,3 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
O lucro bruto somou R$ 252,2 milhões no período, uma elevação de 18,8%.
Já a margem bruta atingiu 55,8% no primeiro trimestre de 2020, baixa de 0,5 p.p.
A Movida explica que a margem bruta diminui por causa do aumento da depreciação.
Investimentos
A Movida investiu R$ 599 milhões no período, um aumento de 21%.
Os aportes foram destinados principalmente a renovação e expansão da frota. A empresa ainda investiu em outros projetos, como de tecnologia, e na repaginação de suas lojas.
Dívida
A dívida líquida da Movida encerrou o primeiro trimestre em R$ 2,089 bilhões.
A alavancagem financeira, medida pela relação dívida líquida / Ebtida ajusta, ficou em 2,4 vezes, ante 2,7 vezes no final de março de 2019.
Covid-19
Diante das incertezas associadas a pandemia, a Movida realizou um impairment em sua frota de R$193 milhões –sendo um reconhecimento de perda no valor recuperável dos veículos em desativação para renovação da frota.
Também adaptou o contas a receber com um impairment de R$ 50 milhões, que absorverá possíveis impactos de inadimplência. Considerando o imposto diferido o efeito final dos impairments foi de R$160 milhões. Somados a R$2 milhões de fechamento de lojas e R$ 7 milhões de impacto tributário por não ter feito a usual declaração de JCP, o impacto total dos efeitos da COVID-19 foi de R$ 170 milhões neste trimestre.
A empresa ressalta que estes valores não têm efeito caixa e podem ser revisitados a depender os desdobramentos da pandemia.