Terceiro dia na ilha da quarentena, a quinta-feira (19) se inicia com os mercados asiáticos encerrando suas operações novamente no terreno negativo, tendo a bolsa de Seul novamente a queda mais expressiva (-7,67%).
Em Nova York, os futuros das bolsas abriram em alta, viraram vertiginosamente para o negativo durante a madrugada e agora trabalham em leve baixa, muito próximo da estabilidade – com exceção do índice Nasdaq, que neste momento permanece positivo.
Na Europa, as principais bolsas começam a mostrar reação, com destaque para a Itália, que trabalha em firme alta, superior a 4%.
Juros
Por aqui, o dia servirá entre outras coisas, para verificarmos como o mercado reagirá ao novo corte de 50 pontos base promovido pelo Copom na reunião de ontem; mas, em um primeiro momento, a impressão mais forte é de que ele não apenas é insuficiente – como pode inclusive piorar a situação.
Além do efeito baixo no sentido de destravar a economia, o corte deve dificultar ainda mais o crédito privado, que já trabalha com spreads muito apertados.
Pode-se prever também uma dificuldade ainda maior por parte do governo em financiar sua dívida: com taxas tão baixas, aliadas com a eterna baderna política e a sempre presente sensação de insegurança jurídica passada pelo Brasil, como convencer o investimento estrangeiro de que o Brasil é um bom negócio?
Câmbio
Mas o ponto de maior preocupação certamente está relacionado ao câmbio: o real, que já desvalorizou inacreditáveis 30% somente nos últimos meses, exigirá uma atuação ainda mais agressiva por parte do Banco Central e só não deve pressionar a inflação, pela atual força das circunstâncias.
A confirmação do estado de calamidade pública, dará ao governo espaço para a utilização de recursos públicos no combate direto ao vírus.
Medidas
A maior preocupação do governo e equipe econômica está acertadamente voltada aos empregos: tal qual em tempos de guerra, o governo está autorizando empresas a reduzirem em 50% os salários e a jornada de trabalho, respeitando o limite do salário mínimo.
Também estão previstas suspensões de contratos de trabalho temporário, com a manutenção do pagamento de 50% dos salários. As empresas também estão liberadas para anteciparem férias individuais e coletivas além de feriados não religiosos.
Aos trabalhadores informais, que somam os milhões, o ministro Paulo Guedes prometeu auxílio de R$ 200 per capta.
Recessão
O medo da recessão não é uma exclusividade brasileira. O secretário do tesouro americano, Steve Mnuchin, já teme que o desemprego nos EUA possa bater na casa dos 20%, se aproximando do terrível quadro da Grande Depressão.
Já o JP Morgan também pinta um quadro nem um pouco animador: a previsão de uma forte contração na Europa, PIB negativo em 1,5% nos EUA ao fim de 2020 e uma queda no PIB Global superior a 1%.
Como visto, o momento requer preocupações muito maiores que saber se é hora de comprar Via Varejo.