A decisão do Federal Reserve em antecipar o corte nos juros tirou parte do brilho da “super quarta”, mas ainda assim, para o cenário doméstico, a reunião do Copom que se encerra hoje, é encarada como uma das mais importantes dos últimos anos.
As apostas de corte do Copom variam entre 25 e 100 pontos base e devem projetar um horizonte de extrema dificuldade por ao menos 20 semanas, prazo que o Ministro da Saúde sugeriu ontem, para que o coronavírus seja varrido do território brasileiro.
A dura constatação, levou algumas casas a revisarem suas projeções de crescimento para 2020: o Itaú, que projeta um corte de 100 pontos na decisão de hoje do Copom, já fala em retração de 0,30% no PIB, enquanto o Credt Suisse, zerou suas perspectivas para 2020.
A quarta-feira deve marcar também, o pedido do executivo ao legislativo, de estado de calamidade pública, o que permitiria ao governo, abrir espaço para créditos extraordinários no combate ao coronavírus, sem ferir a lei de responsabilidade fiscal ou o teto de gastos.
Bolsonaro
A medida, que vem na contramão do discurso feito pelo presidente Bolsonaro, surge após as confirmações das primeiras mortes causadas pelo coronavírus no país.
Ontem, o presidente voltou a defender sua posição de que há histeria em demasia em torno desta questão.
O presidente mais uma vez colocou sua ideologia acima dos interesses do país, ao fechar as fronteiras do Brasil com a Venezuela e apenas com a Venezuela.
O ”comunavírus” ainda parece ser a prioridade do presidente, mesmo passados quase 18 meses de sua expressiva vitória nas urnas.
Futuros Nova York
Neste início de manhã, o cenário não é nem um pouco alentador: as bolsas asiáticas fecharam no terreno negativo, com destaque para a bolsa sul coreana, que fechou em forte baixa de 4,87%.
Os futuros em NY caminham na mesma direção, muito próximos dos limites de baixa de 5% e na Europa, as bolsas operam igualmente, em forte queda.
Enquanto o governo Trump caminha em direção a um grande pacote fiscal, o secretário do Tesouro Steven Mnuchin alertou que o coronavírus tem potencial para elevar a taxa de desemprego dos EUA para 20% sem intervenção do governo.
Os países continuam adotando medidas para limitar as viagens em uma tentativa de conter o vírus que se espalha, com a Casa Branca ordenando que funcionários federais trabalhem em casa e que a Europa e Taiwan fechem as fronteiras.
O Japão relatou uma queda adicional nas exportações, à medida que as cadeias de suprimentos se tornam cada vez mais interrompidas em todo o mundo.
Estímulo
O estímulo planejado nos EUA pode chegar a US $ 1,2 trilhão, com o objetivo de evitar o pior, de uma crise que já parece pronta para mergulhar muitas das economias do mundo em recessão.
Enquanto isso, o Federal Reserve reintroduziu ferramentas adicionais utilizadas na crise de 2008 para estabilizar os mercados financeiros.
Essas respostas vieram depois que o estresse apareceu nos mercados de financiamento de curto prazo.
Fujifilm vacina
Para encerrarmos o encaminhamento desse morning call com um tom mais esperançoso, as ações da Fujifilm Holdings Corp. do Japão subiram 15% na manhã desta quarta-feira, depois que uma autoridade chinesa disse que o medicamento anti-gripe Avigan, produzidos pela empresa, parecia estar ajudando os pacientes com coronavírus a se recuperarem.
O Avigan é fabricado por uma subsidiária da Fujifilm, que possui um braço de assistência médica, embora seja mais conhecido por suas câmeras fotográficas.
O medicamento foi aprovado para uso no Japão em 2014 e tem se mostrado eficaz, sem efeitos colaterais aparentes, na recuperação de pacientes com coronavírus, afirmou Zhang Xinmin, funcionário do Ministério de Ciência e Tecnologia da China, em entrevista coletiva na terça-feira.
Uma porta-voz da Fujifilm disse que a empresa não comentou o anúncio do governo chinês. A Fujifilm fabrica a Avigan apenas recebendo pedidos do governo japonês e não tem meta de vendas para a droga, disse ela.
(Com Filipe Teixeira, da Wisir Research)