Uma das principais gestoras de ativos do país, a XP Investimentos faz recomendações periodicamente. De olho no varejo, a empresa fez algumas ponderações e recomendações de compra: Magazine Luiza (MGLU3), Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) e Vivara (VIVA3)
Conforme a XP, o setor tem sido um dos mais impactados pela crise do coronavírus. Medidas preventivas têm provocado queda relevante no fluxo de pessoas nas lojas e, consequentemente, nas vendas.
Nesse contexto, as ações cobertas pela gestora já acumulam queda de 33,5% desde o início de fevereiro.
Uma parte dessa desaceleração, conforme a gestora, está relacionada a uma ruptura de curto prazo na demanda em função da quarentena e fechamento de shoppings e lojas de rua.
“Hoje, das empresas que cobrimos, Lojas Renner, Vivara, C&A, Via Varejo e Magazine Luiza estão com todas as suas lojas fechadas por tempo indeterminado”, comentou em relatório.
Impacto mais profundo
Para a XP, com as dificuldades observadas em diversos segmentos, como turismo, aviação, serviços, comércios pequenos e médios, as possíveis implicações negativas da crise podem fazer com que o impacto no consumo seja mais profundo e duradouro do que se espera.
Por conta disso, a XP diz estar tomando posição mais cautelosa em relação ao setor, dada a falta de visibilidade sobre a evolução dos resultados e da geração de caixa das varejistas no curto prazo.
Assim, a gestora atualizou suas preferências do varejo. Trata-se da careira Top Picks.
Magazine Luiza (MGLU3)
Segundo a XP, as ações caíram 30% desde o início de fevereiro, também impactadas pela deterioração do cenário de curto prazo, em função da crise atual.
Os resultados da empresa devem ser negativamente impactados em 2020, tanto pelo fechamento temporário das lojas, quanto pela desaceleração do e-commerce.
Entretanto, o sólido histórico de execução do Magalu e a sua forte posição de balanço (R$ 3,9 bilhões de caixa líquido no 4T19), farão não só com que ela atravesse o período de crise com menos dificuldades, mas também acelere o seu ganho de participação de mercado.
Isso porque a varejista deve aportar mais investimentos e, possivelmente, novas aquisições. A XP estima crescimento anual médio de receita ao longo dos próximos três anos de 20%.
E diz mais: “a empresa está preparada para aumentar a participação no mercado de e-commerce [15% em 2019; 19 milhões de usuários ativos mensais nos aplicativos].”
Dentre as vantagens competitivas do Magalu, a XP destaca relevância em categorias de tickets menores após a aquisição da Netshoes, e a estrutura logística de cross-docking, suportada pela aquisição da Logbee.
Grupo Pão de Açúcar (PCAR3)
De acordo com a XP, as ações do grupo caíram 30% desde o pico atingido ao final de janeiro. O desempenho negativo foi inicialmente causado por revisões negativas de estimativas, após um resultado abaixo das expectativas, especialmente na operação de multivarejo. “Também foram impactadas pela queda generalizada em meio à crise atual.”
No entanto, a companhia apresenta risco-retorno favorável. Assim, a gestora acredita que as ações do GPA serão negociadas em níveis atrativos e com desconto excessivo em relação ao seu principal concorrente.
O grupo tem se beneficiado de um aumento importante de vendas no curto prazo, tanto em função da estocagem de produtos durante o período de quarentena, quanto por um aumento no consumo das famílias e da alimentação dentro de casa.
Conforme a XP, permanecem algumas preocupações por parte dos investidores em relação ao nível de endividamento da companhia e aos desafios estruturais dos hipermercados, que corresponde a 50% da receita do multivarejo.
Mas a gestora diz acreditar que o momento atual irá acelerar o processo de desalavancagem da empresa. Além disso, o plano de R$ 3 bilhões em venda de ativos também contribuirá positivamente, apesar de temporariamente dificultado pela crise.
“Também esperamos que a reestruturação da estratégia comercial para a marca Extra e conversão dos hipermercados em Assaí (atacarejo) gerem resultados positivos ao longo de 2022 e 2021.”
Por isso, a XP reduziu o preço-alvo para o final de 2020 de R$ 105 para R$ 100.
Vivara (VIVA3)
O aumento do preço do ouro e da prata (+56% e +13% nos últimos 12 meses, em reais), e a crise atual pressionaram significativamente o preço das ações da Vivara, que já acumula queda de 45% desde o pico no início de fevereiro e de menos 25% desde o IPO (em outubro de 2019).
Porém, a gestora sustenta a compra por conta do aumento do preço do ouro, maior poder de precificação de empresas verticalizadas e flexibilidade na mudança do mix de vendas.
A XP reduziu o preço-alvo para o final de 2020 de R$ 38 para R$ 30.
O relatório completo pode ser lido aqui.