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Major Olímpio, líder do PSL no Senado, elabora projeto para revogar juiz de garantias

Major Olímpio, líder do PSL no Senado, elabora projeto para revogar juiz de garantias

Major Olímpio, líder do PSL no Senado, elabora projeto para revogar juiz de garantias; enquanto isso, a matéria segue valendo liminares no STF

O senador Major Olímpio (PSL-SP), líder do partido no Senado Federal, pretende apresentar projeto de lei para revogar a criação do juiz de garantias, um dos pontos mais polêmicos da lei anticrime sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro na véspera de Natal de 2019.

Para o senador, no sistema judiciário, não há estrutura para a aplicabilidade do juiz de garantias. O senador explica que a criação dessa figura além de dispendiosa, vai piorar um velho problema do judiciário, que é morosidade.

O juiz de garantias, criado pela lei recentemente sancionada, é um magistrado que atua apenas na fase de instrução do processo. Quando o caso é enviado à Justiça, esse juiz dá lugar a um novo magistrado, que atua no julgamento propriamente dito. É encarregado especialmente sobre a prisão provisória de uma pessoa investigada e seus respectivos pedidos de liberdade provisória. Também é responsável por analisar os pedidos de medidas cautelares formulados durante o inquérito.

Dessa forma, haveria dois juízes ao longo do processo, um encarregado pela fase de investigação e o outro responsável por determinar a sentença.

Facilitador para crimes

Na visão do Major Olímpio, porém, o juiz de garantias um facilitador para qualquer tipo de crime e um retrocesso especialmente no combate à corrupção: “se tivesse o juiz de garantias na Lava Jato, o juiz Sergio Moro não teria conseguido colocar aquele tanto de gente na prisão. O juiz de garantias é a certeza da impunidade”.

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O líder do PSL pretende apresentar mais um projeto revogando outros dois pontos do pacote anticrime, sem em vista da “defesa da Lava Jato”. Um ponto é o acréscimo do requisito de “perigo” para decretação de prisões preventivas. O outro, é o ponto que impede Delatores de incluir em suas delações crimes que não estejam vinculados estritamente ao que estão sendo investigados.

Decisão de Toffoli

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, acabou adiando por 180 dias a implementação da figura do juiz de garantias. Por isso, o pacote anticrime entrará em vigor nesta quinta-feira (23) sem este ponto.

“A implementação do juiz de garantias demanda organização que deve ser implementada de maneira consciente em todo o território nacional, respeitando-se a autonomia e as especificidades de cada tribunal”, disse Toffoli.

Por fim, para justificar sua decisão, “impõe-se a fixação de um regime de transição mais adequado e razoável, que viabilize, inclusive, sua adoção de forma progressiva e programada pelos Tribunais”.

Decisão de Fux

Entretanto, o ministro Luiz Fux, na quarta-feira (22), revogou a decisão de Toffoli e suspendeu, por tempo indeterminado, a implantação do juiz de garantias. A suspensão valerá até que o plenário do STF decida se as novas regras estão de acordo com a Constituição. Não há data marcada para que isso aconteça.

Fux tomou a decisão porque “a proposta de lei deveria ter partido do Poder Judiciário, já que afeta o funcionamento da justiça no país; e a lei foi aprovada sem a previsão do impacto orçamentário dessa implementação de dois juízes por processo”.

A decisão de Fux ainda cria um imbróglio com o Congresso. Para o ministro, “a aprovação da lei pelo Congresso não tira a legitimidade do Judiciário para verificar a constitucionalidade do texto”.

E falando especificamente sobre a alegada suspeição do ex-juiz Sergio Moro, em casos envolvendo a Lava Jato, disser que “a existência de estudos empíricos que afirmam que seres humanos desenvolvem vieses em seus processos decisórios não autoriza a presunção generalizada de que qualquer juiz criminal do país tem tendências comportamentais típicas de favorecimento à acusação”.

“Não se pode inferir, a partir desse dado científico geral, que a estratégia institucional mais eficiente para minimizar eventuais vieses cognitivos de juízes criminais seja repartir as funções entre o juiz das garantias e o juiz da instrução”, completa.

Já o ministro Marco Aurélio Mello classificou como um “descalabro” a decisão do de Toffoli. E a postura de Fux, para Mello, “desgasta barbaramente imagem do STF” e “gera insegurança jurídica”. Ele quer que o tema seja analisado pelo plenário da Corte o quanto antes.

Se a proposta de Major Olímpio avançar, essa questão acaba pacificada.

Com informações do portal UOL e do G1.