Café
Home
Notícias
O que esperar das eleições presidenciais de 2022

O que esperar das eleições presidenciais de 2022

Lula fez acenos a negociar com todos os setores da sociedade, inclusive empresários. Tudo em busca de um ambiente mais favorável

O ministro Marco Aurelio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que anulação dos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria uma “bomba atômica” para as eleições presidenciais de 2022. Além disso, no dia em que o colega de Mello, o ministro Edson Fachin, tornou sem efeito os processos, o dólar fechou o dia R$ 5,80 e a bolsa de valores registrou queda. Dada essa conjuntura, era razoável supor que um temor no mercado por conta de um “risco Lula”.

Mas essa imagem começou a se dissipar, quando o próprio ex-presidente fez um discurso na última quarta-feira (10). Lula fez acenos a negociar com todos os setores da sociedade, inclusive empresários. Tudo em busca de um ambiente mais favorável no enfrentamento à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. “Quero conversar com todos”, afirmou Lula. Mas o cenário que se desenha para 2022 é totalmente incerto.

Insegurança não pega bem no mercado

Para Lucas Aragão, sócio da Arko Advice, disse, em live da EQI Investimentos, disse que a anulação dos processos decisão foi uma surpresa. Questionou o timing da decisão de Fachin, cinco anos após o STF estar analisando a suspeição do Moro e disse causa desconforto no mercado.

Lula

“Cria uma insegurança jurídica que não pega bem. Investidores internacionais não vão olhar a decisão, mas o retrato do momento”, afirmou ele durante a live.

Publicidade
Publicidade

Para Aragão, eleitoralmente falando há grande chance do segundo turno ser disputado entre o presidente Jair Bolsonaro e Lula. Para ele, não foi uma notícia necessariamente ruim para os eleitores bolsonaristas. Isso porque o próprio presidente tem preferência polarizada. Mas aponta que fica uma eleição mais “perigosa” do que seria se o candidato do PT fosse Fernando Haddad. Isso porque Bolsonaro já vendeu Haddad em 2018 e também porque Lula tem mais história política do que o colega de partido.

“Governo Lula não assusta”

Ao que tudo indica, uma possível candidatura do ex-presidente na corrida presidencial no ano que vem, poderá não ser tão assustadora assim ao mercado. O megainvestidor alemão Mark Mobius, considerado um guru dos emergentes, não será ruim se o ex-presidente retornar ao posto. Ainda que com uma agenda populista. “Um governo liderado por Lula não assusta e se seu populismo resultar em um surto de crescimento, tanto melhor”, afirmou ele, à BBC.

No mesmo sentido, analistas também apontam que é mais difícil um cenário de terror econômico diante de uma eventual vitória de Lula no próximo ano. Alguns avaliam que o discurso da quarta-feira, ainda trouxe resquícios da “Carta ao povo brasileiro”, que Lula lançou nas eleições de 2002. Fato que garantiu-lhe credibilidade junto ao mercado.

Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, admitiu, em matéria do jornal Folha de S.Paulo que o perfil estatizante de Lula acende um alerta amarelo. Mas por outro lado, o último discurso trouxe falas conciliadoras, não deixando o mercado desamparado.

Já a economista Laura de Carvalho, professora da Universidade de São Paulo (USP), disse também à Folha, que o mercado já vinha sofrendo com volatilidades e dificuldades anteriores à uma eventual eleição de Lula.

Eleições: influência direta no mercado

Pesquisa divulgada pela revista exame aponta que as eleições continuarão a influenciar o mercado. Na pesquisa, foi perguntado se Bolsonaro merece ser reeleito no ano que vem. O quadro fica um pouco dividido, mas 48% dos entrevistados disseram que não. Já 42% disseram que o atual presidente merece ter mais quatro anos. Fatia de 10% não soube dizer.

Quando a questão é se Lula merece voltar a ser presidente, há uma rejeição maior: 46% disseram que não, ao passo que 32% disseram ser favoráveis ao retorno do petista. Já 22% não souberam opinar.

“Para 48% dos eleitores o presidente não merece continuar na Presidência. Um patamar perigoso para reeleição. Todavia, 42% responderam que Bolsonaro merece continuar, o que ainda o coloca como favorito a seguir no Palácio do Planalto. O segmento evangélico é sua maior fortaleza eleitoral”, comentou Maurício Moura, fundador do IDEIA, instituto especializado em opinião pública à pesquisa da Exame.

A pesquisa também perguntou se pessoas sabiam se Lula voltou a se tornar elegível por conta da decisão do ministro Fachin. Maioria absoluta, de 73%, disseram que sim, enquanto 27%, responderam que não.

Quadro não altera para Bolsonaro

Porém, esse fator não o quadro eleitoral para Bolsonaro, de acordo com a sondagem. Para 49% dos entrevistados, esse fato não aumento e nem diminui a chance de votar pela reeleição de Bolsonaro. Percentual de 6%, disse que aumenta e outros 6%, disseram que diminui.

“A rejeição será um peso que o ex-presidente terá de lidar. Para 46% dos entrevistados, Lula e o PT não merecem voltar e 42% dizem que nunca votariam no ex-presidente. Há uma correlação evidente entre renda e rejeição ao petista. Quanto maior a renda, maior é a rejeição à volta do ex-presidente”, disse Moura.

O fundador do IDEA disse também tanto Bolsonaro ou Lula terão dificuldades contra eventuais candidatos do centro político têm menos rejeição por parte do eleitorado. Ele citou na disputa contra nomes como Guilherme Boulos, Ciro Gomes, João Dória e Luiz Henrique Mandetta, Bolsonaro e Lula surgem com uma rejeição que passa de 30%.

Bolsonaro lidera em vários cenários

Lula

A pesquisa mostrou também que, em diversos cenários testados, o atual presidente Bolsonaro segue favorito em todos os cenários. Em um primeiro cenário, sem o nome do ex-juiz Sergio Moro e sem o governador de São Paulo, João Dória, o presidente teria 34% da preferência, seguida de 20% de Lula. Ciro Gomes surge em seguida, com 10% e, logo depois, Luciano Huck, com 7%, e Guilherme Boulos, com 6%.

No segundo cenário, mais diversificado, incluindo Moro e Dória, Bolsonaro também lidera. Ele teria 33% da preferência contra 18% de Lula. Em terceiro, surge Moro, com 11%. Ele é seguido por Ciro, com 9% e por João Doria, com 7%. Luciano Huck teria 6% e Guilherme Boulos, 5%. Também incluído nesse cenário, Luiz Henrique Mandetta aparece com 2% e João Amoedo, presidente do partido Novo, ficaria com 3%.

Sobre a rejeição dos candidatos, 42% disseram que não votariam de jeito nenhum no ex-presidente Lula. Bolsonaro tem a rejeição de 38% dos eleitores, ao passo que João Dória, 28%. Luciano Huck tem rejeição de 26% e Ciro Gomes, de 23%. Moro aparece com uma rejeição de 19% e Guilherme Boulos, de 18%. Os menos rejeitados são Luiz Henrique Mandetta, com 15%, e João Amoedo, com 11%.