A Cogna Educação (COGN3) divulgou nesta quinta-feira (21) seus resultados do primeiro trimestre de 2020. A empresa fechou o trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 46,8 milhões no período. Foi uma queda de 85,3% em relação aos R$ 318,6 milhões de lucro de janeiro a março de 2019.
Os números, segundo a empresa, foram afetados pela queda no resultado operacional e a maior alavancagem financeira.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 504,8 milhões. Foi uma retração de 32,8% em relação ao primeiro trimestre de 2019 devido à menor diluição de custos, maior nível de provisões para créditos de liquidação duvidosa para fazer frente ao cenário de coronavírus e aumento das despesas de marketing.
A margem Ebitda da Cogna também teve queda. Saiu de 40,9% no início de 2019 para 31% nos primeiros meses de 2020.
Por fim, a receita líquida da empresa de educação caiu 11,4%. Passou de R$ 1,83 bilhão de janeiro a março de 2019 para R$ 1,62 bilhão no mesmo período de 2020. Isso é reflexo, segundo a Cogna, das pressões de receita no ensino superior.
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Geração de caixa diminui
A geração de caixa operacional (GCO) após Capex da Cogna caiu 46,7%. Ou seja, no primeiro trimestre de 2019 este valor era de R$ 274 milhões e, agora, R$ 146 milhões.
Segundo a empresa, o consumo de caixa após Capex e investimentos em expansão diminuiu, apesar da queda de Ebitda, devido ao menor consumo de capital de giro com estabilização do prazo médio de recebimento.
Esta é a principal métrica de geração de caixa operacional adotada pela companhia.

Cenário desafiador
Para a Cogna, o Brasil atravessa a “maior recessão macroeconômica já registrada no país”. Ou seja, temos pela frente um dos cenários mais desafiadores da história recente.
Pela primeira vez, com a divisão da então Kroton Educação em quatro empresas, a Cogna apresentou os resultados operacionais de cada empresa. São elas: Kroton, Platos, Saber e Vasta.
No pilar financeiro, a Cogna ressalta que desenvolveu cenários de estresse para amparar os processos de decisão e definição de ações durante a pandemia. Assim, a empresa espera que as atitudes sejam suficientes para garantir um nível de alavancagem inferior a 3x a dívida líquida/Ebitda e uma geração de caixa pós-Capex positiva em 2020.
Uma das medidas da empresa foi liberar conteúdos gratuitos durante a pandemia, no valor de R$ 267 milhões.
Ações da Cogna em queda
No primeiro trimestres de 2020 as ações da Cogna caíram 65%. Enquanto isso, o Ibovespa teve uma queda de 36,9%.
No período, foram negociados um volume de R$ 12,9 bilhões de as ações da Cogna.
Cogna pode não pagar dividendos
Algumas medidas foram adotadas pela Cogna para tentar passar pela crise de forma mais confortável. Isso incluiu a redução em 25% de salários de colaboradores, a redução do salário de gestores e a renegociação de aluguéis, serviços terceirizados, marketing, viagens, entre outros. Ou seja, a empresa tenta encontrar formas de passar pela crise sem causar demissões.
Assim, por conta da situação, a Cogna avalia não pagar dividendos intercalares em 2020. O tema será novamente no início de 2021 para definir a proposta da empresa para o próximo ano.
Os dividendos do primeiro trimestre de 2020 já foram cancelados pela empresa.
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