A economia do Japão encolheu 27,8% no segundo trimestre de 2020 em relação ao trimestre anterior. É a contração mais acentuada já registrada, com a atividade econômica restringida pelo estado de emergência durante o surto do novo coronavírus.
Os dados foram divulgados pelo governo japonês nesta segunda-feira (17).
Os números preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) correspondem a uma redução de 7,8% em uma base trimestral ajustada sazonalmente, marcando um crescimento negativo pelo terceiro trimestre consecutivo.
A série histórica está disponíveis desde o trimestre de abril a junho de 1980.
Entretanto, um funcionário do Gabinete do Governo disse que o apurado agora é considerado a maior redução registrada desde 1955, desde quando, afinal, há valores de referência que podem ser rastreados.
O divulgado supera em muito o recorde anterior de uma contração real anualizada de 17,8% ocorrida trimestre de janeiro a março de 2009, na esteira da crise financeira global.
Além disso, os números vieram piores do que a previsão do mercado, de redução de 26,59%.
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Japão decretou estado de emergência em abril
Mesmo antes de o vírus se espalhar, a economia já havia sido afetada pela briga comercial EUA-China e um aumento nos impostos sobre o consumo no ano passado, diz o The Japan Times.
Os danos à economia aumentaram com o impacto da pandemia.
O governo central japonês declarou estado de emergência em abril, com uma série de restrições à circulação de pessoas.
Com os decreto, as pessoas deveriam ficar em casa.
A atuação dos negócios não essenciais foi suspensa.
O decreto de 7 de abril valeu para Tóquio e seis outras prefeituras.
Entretanto, logo valeu para todo o país.
Ele só foi suspenso para todas as 47 prefeituras no final de maio, no meio do trimestre.
Tamanho da crise sanitária
Até esta segunda, o país tinha reportado 55.667 casos confirmados, com 1.099 mortos, 41.196 tidos como recuperados e 13.372 casos ativos.
A estimativa para o Censo 2020, se concluído, é que a população japonesa chegue a 125,960 milhões de pessoas.
Como o Japão tem uma população decrescente (morrem mais japoneses do que nascem), crises sanitárias como essa podem causar impacto ainda maior.
Recuperação do PIB
Muitos analistas acreditam que a economia do país se recuperará em mais de 10% no semestre seguinte, de julho a setembro.
É provável que isso aconteça, dada a retomada gradual da atividade econômica após o fim do decreto.
Para eles, levará pelo menos alguns anos para que a economia volte ao nível pré-pandêmico.
No trimestre, o consumo privado, que representa mais da metade da economia, caiu 8,2% em relação ao trimestre anterior.
Os japoneses cortaram gastos em viagens, refeições fora e compras.
A queda nos gastos do consumidor também foi a mais acentuada já registrada.
E ultrapassou em muito os 4,8% no trimestre de abril a junho de 2014, após o aumento do imposto sobre o consumo de 5% para 8% em 1º de abril daquele ano.
Exportações e importações
As exportações de bens e serviços, incluindo gastos de turistas estrangeiros, caíram 18,5%.
A demanda global por produtos como carros e peças automotivas foi reduzida durante pandemia.
O número de visitantes despencou devido às restrições de viagens internacionais mais rígidas para conter a propagação do vírus.
Enquanto isso, as importações registraram uma queda relativamente limitada de 0,5%, já que as importações sólidas da China ajudaram a compensar o declínio nas dos Estados Unidos e de países europeus.
Números
Em termos nominais, a economia contraiu 26,4% anualizado (de junho a junho).
Além disso, retraiu 7,4% numa base trimestral (comparando com o mesmo trimestre de 2019).
No período de outubro a dezembro do ano passado, a economia do Japão encolheu 7,0% nos 12 meses.
Naquela época, o problema foi o aumento do imposto sobre o consumo, que passou de 8% para 10% em outubro, e um tufão devastador.
No primeiro trimestre de 2020, o PIB contraiu 2,5% quando o vírus começou a se espalhar por todo o país.
O Japão já teve reduções do PIB por três trimestres consecutivos: de outubro de 2010 a junho de 2011.
Naquele período, foi afetado pelo fraco consumo privado.
Além disso, contribuiu o grande terremoto e tsunami que devastou o nordeste do país em março de 2011.
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