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Japão dá aula de como conter coronavírus mesmo sem quarentena

Japão dá aula de como conter coronavírus mesmo sem quarentena

O número de pessoas contaminadas pelo coronavírus no Brasil e no Japão, quando analisado a olho nu, é bastante similar, mas, em uma análise minuciosa, é fácil perceber a “aula” que os asiáticos dão para combater a propagação da doença.

Segundo números divulgados pelo Uol, o Japão tinha 1128 casos da Covid-19 até terça-feira, com 42 mortes, enquanto o Brasil registrava 1891 infectados e 34 óbitos.

A diferença, no entanto, está na data em que a pandemia teve início no País. O Japão registrou o primeiro caso do vírus um mês antes do Brasil, e já foi ultrapassado em número de casos.

A explicação? Segundo Mateus Westin, professor da Universidade Federal de Minas Gerais e médico infectologista, ela é bastante simples: cultura.

“O Japão, historicamente, tem uma cultura estabelecida de não-disseminação de vírus respiratórios a despeito de contextos epidêmicos, como o que a gente vive atualmente”, lembrou.

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“E, quando precisam sair, elas utilizam máscaras por estarem sintomáticas, tem uma etiqueta da tosse absolutamente bem estabelecida”, complementou o infectologisgta.

Cultura vem de “berço”

O comportamento da população japonesa não é por acaso. A reportagem do Uol mostrou que o próprio governo do país divulgou incessantemente as medidas de não-disseminação em pontos estratégicos.

“Tome medidas gerais de prevenção a infecções em público em instalações de transporte, paradas e outras instalações onde um grande número de pessoas se reúne”, diz o documento.

A quarentena, sistema de isolamento social adotado no Brasil e muitos outros países do planeta como forma de impedir a propagação do coronavírus não foi adotada no Japão.

O governo chegou a fazer um apelo informal para os cidadãos evitarem sair, mas sem exigir nada. O único isolamento obrigatório é aplicado aos cidadãos japoneses que chegam de viagem dos países com mais infectados, como Estados Unidos ou China.

“Acho que tem uma questão cultural muito importante nesse aspecto, que faz com que a população, mesmo sem medidas rígidas do governo, tenha uma consciência individual de como lidar com o sintomático, de se isolar e proteger os demais”, explicou Mateus Westin.

Testes direcionados

Em relação aos testes aplicados para detectar a presença do coronavírus, o governo japonês tem uma metodologia diferente.

O país não seguiu o exemplo da Coreia do Sul, que apostou nos testes em massa para combater a propagação, mas também não teve atitude semelhante ao governo brasileiro, que só usou o kit em quem já estava internado.

Os japoneses privilegiaram a população idosa, mais suscetível à doença, e que compõe um quarto da população de aproximadamente 125 milhões de pessoas.

Enquanto no Brasil a recomendação é para que “pessoas com sintomas leves fiquem em casa”, no Japão a determinação é para que “idosos e quem tenha outras doenças procurem atendimento médico adequado no estágio inicial, dada à sua vulnerabilidade à infecção”.

Mais uma aula que o resto do mundo poderia aproveitar para tirar lições e conseguir brecar a pandemia que ameaça não apenas a saúde física, mas também econômica do planeta.

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