O Itaú BBA iniciou a cobertura de Eletrobras ON com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 56 para o final de 2020.
“Vemos um equilíbrio muito atraente entre risco e retorno, com potencial de valorização enorme caso a companhia seja privatizada e relativamente limitada chance de queda, se o governo federal desistir da possibilidade de privatização”, diz o relatório, assinado pelos analistas Marcelo Sá, Fernando Zorzi e Gustavo Miele.
No caso de privatização, os analistas acreditam que a companhia poderia valer R$ 68 por ação, uma diferença de cerca de 65% em relação aos níveis atuais – por volta das 10h45, o papel subia 4,12%, a R$ 41,20.
A Eletrobras contratou uma consultoria para identificar medidas adicionais de eficiência para implementar, se a empresa permanecer controlada pelo governo. A elétrica espera que essas medidas adicionais reduzam os custos em R$ 500 milhões por ano em 2021, apesar de o cenário-base do Itaú BBA apontar para apenas R$ 300 milhões por ano em economias.
“Além disso, esperamos que o acordo de demissão voluntária reduza o número de funcionários em quase 1.300, resultando em economias de R$ 490 milhões por ano”, escreveu a equipe de análise.
Dividendos e alavancagem
Os analistas enxergam ainda potencial para aumento do pagamento de dividendos a médio prazo, com a desalavancagem rápida da empresa. A Eletrobras reduziu sua alavancagem de 9,8 vezes a dívida líquida/Ebitda no primeiro trimestre de 2016 – Wilson Ferreira assumiu a presidência no segundo trimestre de 2016 – para 1,8 vez no terceiro trimestre de 2019.
A empresa implementou vários programas de demissão voluntária, privatizou distribuidoras ineficientes, reduziu os níveis de capex (investimentos), encerrou sua participação em novos leilões greenfield e começou a receber desde julho de 2017 quase R$ 7,5 bilhões por ano de compensação do RBSE (Rede Básica Sistemas Existentes).
“Esperamos que a alavancagem continue a cair, o que abre espaço para pagamentos de dividendos”, dizem os analistas.
Privatização
“Embora o projeto de lei para privatizar a Eletrobras atualmente não tenha apoio político no Congresso, acreditamos que o governo federal possa negociar o apoio necessário para avançar com a privatização em 2021. Com base em nossas conversas com funcionários do governo e políticos em Brasília, a privatização parece atender à maior resistência no Senado, onde governadores dos estados do Norte/Nordeste têm a maior influência”, cita o relatório.






