A segunda onda do novo coronavírus, que provocou aumento de casos EUA e na Europa e agora faz crescer as contaminações por todo o Brasil, pode fazer o governo do país exceder os gastos em 2021, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado.
O Relatório de Acompanhamento Fiscal de dezembro usou justamente os exemplos dos Estados Unidos e de alguns países da zona do euro para ilustrar o que pode vir a acontecer no cenário econômico do País.
“Em países europeus e nos Estados Unidos, os efeitos de uma segunda onda da pandemia já estão presentes, obrigando governos a adotar novas medidas de isolamento social e de restrição à circulação de pessoas. Uma situação como essa pode ocorrer no Brasil, o que requereria maiores gastos do governo por um período maior”, alertou.
De acordo com a IFI, o aumento dos infectados pela Covid-19 em novembro e dezembro, que fez crescer as internações em UTI por todo o Brasil, ligou um sinal de alerta. A falta de um plano concreto de imunização também é preocupante, segundo o órgão.
“Assim, uma eventual interrupção da retomada da economia, com manutenção da taxa de desemprego em níveis relativamente elevados, poderia aumentar as pressões para que o governo retomasse o pagamento do auxílio emergencial a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Há um elevado grau de incerteza, uma vez que a evolução da doença e o ritmo da compra de vacinas e da imunização da população ainda é incerto”, avaliou.
IFI prevê expansão de 3,5% no PIB de 2021
O último relatório da IFI também apontou que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2021 deverá ser de 3,5%.
“Em paralelo, a dúvida quanto à evolução da demanda interna após a retirada dos estímulos fiscais, em um quadro de deterioração do mercado de trabalho e aperto das condições financeiras, visto, por exemplo, na inclinação da curva de juros de longo prazo, limita a perspectiva de crescimento ao longo de 2021”, acrescentou.
O novo relatório fez crescer as dúvidas sobre o governo ter a capacidade de manter o teto de gastos, mecanismo criado em 2016 para impedir que os gastos públicos excedam a inflação do ano anterior.
Segundo o relatório da IFI, o teto “tem risco alto de ser rompido” nos próximos anos.
“Incertezas aumentam desafios ao governo e podem tornar cenário de custo médio da dívida instável”, pontou.
“A preocupação dos agentes com a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo, medida por meio da inclinação das curvas de juros futuros, implicará em maior desafio ao governo na gestão da dívida pública”, concluiu o órgão.
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