A pandemia de coronavírus impacta diretamente na expectativa do brasileiro quanto à economia. É o que se pode concluir pelo Índice de Confiança do Consumidor (ICC). Ele foi publicado nesta terça-feira (24) pela Fundação Getulio Vargas.
O índice despencou 7,6 pontos em março. Foi de 87,8 pontos registrado em fevereiro para 80,2 pontos. Este é menor registro desde janeiro de 2017, quando marcava 78,3 pontos.
Em janeiro de 2020, o índice marcava 90,4. Em dezembro de 2019, era de 91,6. Ou seja, nos três primeiros meses de 2020, a perda foi de 11,4 pontos.
A queda na confiança dos consumidores já vinha ocorrendo nos meses anteriores e se aprofundou em março, sob influência da pandemia, como afirma Viviane Seda Bittencourt, coordenadora do estudo. “Apesar de dois terços da coleta de dados ter ocorrido antes das medidas de restrição, é possível notar um impacto expressivo nas expectativas”, diz.
O Rio de Janeiro foi a capital que registrou a maior queda na confiança, seguido por São Paulo.
“O cenário para os próximos meses é preocupante, com forte impacto econômico e social. É difícil imaginar alguma recuperação da confiança no horizonte visível. Esperamos que o sucesso das medidas de isolamento reduzam a disseminação do vírus. E possam conter parte do desânimo que virá com a queda do Produto Interno Bruto (PIB) e o aumento do desemprego”, resume.
Confiança do consumidor: expectativas para os próximos meses são ruins
O Índice de Confiança do Consumidor de março revela uma deterioração nas avaliações sobre o presente e as expectativas em relação aos próximos meses.
O Índice de Situação Atual (ISA) diminuiu 4,8 pontos, para 76,1 pontos, o menor nível desde julho de 2019 (75,6 pontos).
O Índice de Expectativas (IE) caiu 9,3 pontos para 83,9 pontos, o menor desde dezembro de 2016 (81,6 pontos).
Entre os quesitos que integram o Índice de Confiança do Consumidor, o indicador que mede as expectativas sobre a economia para os próximos meses foi o que mais contribuiu para a queda da confiança ao despencar 12 pontos, para 104,9 pontos, o menor nível desde setembro de 2018 (100,6 pontos), período pré-eleições de 2018.
Pessimismo nas famílias
O aumento de incerteza gerado pela queda dos preços do petróleo e pelo avanço da contaminação do coronavírus contribuíram para o aumento do pessimismo em relação ao futuro da economia.
Neste cenário, os consumidores preveem redução da oferta de empregos e uma piora da situação financeira das famílias.
O indicador que mede as perspectivas sobre as finanças familiares piorou pelo terceiro mês consecutivo. Teve queda de 7 pontos, para 92,2 pontos.
Este é o menor nível desde junho de 2018 (91,5 pontos), quando ocorreu a greve dos caminhoneiros.
Houve perda de confiança para consumidores em todas as classes de renda. Exceto para famílias de menor poder aquisitivo (até R$ 2,1 mil). Dentre as classes de renda, a maior queda na confiança ocorreu nas famílias com renda familiar mensal entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil. O índice de confiança recuou 10,8 pontos.
O impacto afeta diretamente a propensão a consumir. Este indicador caiu 12,8 pontos. A perspectiva por novos empregos caiu 10,1 pontos.