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Guerra, IA e dólar: onde estão as oportunidades de investimento em 2026, segundo gestores

Guerra, IA e dólar: onde estão as oportunidades de investimento em 2026, segundo gestores

Painel da Nomad mostra que cenário global mais incerto exige diversificação, exposição a ativos reais e revisão de teses tradicionais

O cenário para investimentos internacionais em 2026 está mais complexo, mas ao mesmo tempo interessante. Com a guerra no Oriente Médio, disrupção das inteligências artificiais e mudanças no fluxo global de capital, gestores veem uma combinação rara de riscos e oportunidades. 

Durante o painel “Onde estão as oportunidades de investimentos em 2026”, promovido pela Nomad, especialistas apontaram que o investidor precisará ir além das estratégias tradicionais e reforçar diversificação, exposição internacional e ativos reais.

A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, afirmou que o ano começou com uma realocação global para fora dos Estados Unidos, mas a escalada geopolítica mudou rapidamente esse movimento e recolocou ativos de proteção no centro das carteiras.

“Vem de uma virada do ano em que o movimento era de saída dos Estados Unidos, com realocação global para outras economias. E aí a guerra trouxe de novo algum movimento para o dólar e ativos de proteção. Em resumo, tem riscos para todos os lados e a gente está tentando equilibrar os pratos”, disse.

Guerra altera o curto prazo, mas IA define o ciclo

Na avaliação do gestor do WHG Global Long Biased, Andrew Reider, o conflito no Oriente Médio é relevante, mas não é o principal vetor estrutural dos mercados. Para ele, a inteligência artificial tem potencial de redefinir setores inteiros e ditar o ciclo dos próximos anos.

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“A guerra é uma delas, mas eu diria que é a terceira coisa mais importante para os mercados globais hoje. A disrupção de IA é a mais importante. A economia mundial vai passar por mudanças estruturais e vários setores podem ser totalmente diferentes daqui a alguns anos”, afirmou.

Segundo Reider, esse processo já começa a gerar impactos concretos na bolsa, com revisões abruptas de expectativas. 

“Vimos subsetores sendo massacrados do dia para a noite, o que levanta questionamentos importantes sobre software, logística, pagamentos e seguros”, acrescentou.

Petróleo eleva risco de desaceleração global

Do lado macro, o gestor da Verde Asset, Luiz Parreiras, avalia que a guerra alterou rapidamente a narrativa que predominava no início do ano — de crescimento global mais forte com inflação controlada.

“Até o fim de fevereiro, a narrativa era de crescimento acelerado com inflação controlada. Depois do ataque ao Irã, o petróleo saiu de 65 para 90 dólares e o mercado passou a discutir impacto na inflação e nos juros”, afirmou.

Para ele, o principal risco está nos efeitos indiretos do choque de energia sobre a atividade. 

“Se não tiver gasolina e diesel, teremos uma desaceleração do crescimento global importante. Se esse choque se prolongar, o cenário muda completamente”, disse, ressaltando que ainda vê maior probabilidade de resolução no curto prazo.

IA muda lógica e favorece ativos reais

A disrupção tecnológica também está provocando uma mudança relevante na forma de investir. Segundo Reider, o mercado pode estar diante de uma inversão das teses que dominaram as últimas décadas.

“Estamos vendo uma inversão do que foi considerado bom e ruim nos últimos 20 anos. O que passa a ter valor real são os ativos reais, porque será necessário um investimento enorme em infraestrutura para sustentar a nova economia”, afirmou.

Nesse contexto, ativos ligados à economia real ganham protagonismo, especialmente aqueles associados à transição tecnológica. 

“Quem possui terras raras, cobre ou data centers está em uma posição forte. Além disso, se a IA gerar desemprego estrutural, pode haver necessidade de estímulos, o que tende a gerar inflação”, acrescentou.

Fluxo global começa a sair dos EUA

Outro movimento relevante é a revisão da alocação global, com investidores reduzindo a concentração nos Estados Unidos após anos de forte valorização.

Reider afirma que esse processo já está em curso, impulsionado por dúvidas sobre retorno dos investimentos em tecnologia e pelo nível elevado do dólar.

“A gente entrou no ano vendido em grandes empresas de tecnologia americanas e vimos investidores começarem a mandar dinheiro para fora dos Estados Unidos. Há uma dúvida crescente sobre quem serão os vencedores da IA”, disse.

Ele também destaca que a dinâmica de juros pode reforçar esse movimento. 

“Se o Fed for mais flexível e os juros caírem, o dólar pode desvalorizar”, afirmou.

Diversificação vai além de dólar e S&P

Para Parreiras, a diversificação precisa ir além do modelo tradicional baseado em dólar e bolsa americana, que dominou a alocação nos últimos anos.

“O mundo está sobreinvestido nos Estados Unidos. Antes, a resposta óbvia era comprar dólar e S&P, mas hoje isso é só a primeira camada. A diversificação é o único almoço grátis disponível no mercado”, afirmou.

Nesse contexto, o ouro aparece como instrumento relevante de proteção estrutural. 

“O ouro é a única moeda que não tem outro país ou problema soberano do outro lado. No longo prazo, ele funciona como diversificador”, disse.

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Brasil pode se beneficiar do novo ciclo

Dentro desse novo cenário, o Brasil aparece bem posicionado, principalmente pela exposição a commodities e energia, ativos que ganham relevância no novo paradigma.

Reider avalia que o país reúne características que o colocam em vantagem relativa.

“O Brasil se encaixa muito bem nesse novo paradigma de ativos reais. Temos grandes reservas de recursos naturais e uma matriz energética atrativa para infraestrutura digital, como data centers”, afirmou.

Carteiras mais equilibradas e foco em proteção

Do ponto de vista de alocação, a recomendação é manter portfólios equilibrados e com instrumentos líquidos, capazes de se adaptar a mudanças rápidas de cenário.

Zogbi afirma que a estratégia atual combina diversificação global com ativos de proteção.

“A alocação hoje é mais equilibrada, via ETFs, e mantemos o ouro. Ele deixou de ser uma posição marginal e passou a ser algo estrutural no portfólio”, disse.

Ao final, o consenso é que 2026 exigirá mais disciplina e sofisticação do investidor. Em um ambiente com menos respostas óbvias, diversificação, ativos reais e gestão ativa tendem a ser os principais diferenciais de performance.