Na manhã desta quarta-feira (01), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou uma leve queda de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2021. O recuo no ritmo do PIB provocou discussões no mercado financeiro em diminuir as projeções de crescimento do Brasil em 2021. No entanto, a redução do PIB brasileiro já era cenário previsto pelos economistas.
O boletim Focus, do Banco Central, anunciou, na última segunda-feira (30), a revisão do crescimento do PIB. De acordo com o documento, o indicador passou de 5,27% para 5,22%. No início de julho, a pesquisa de mercado estimava um aumento de 5,30%. Se a tendência de queda continuar, o próximo documento deve indicar uma redução ainda maior.
Além do boletim Focus, a projeção da Goldman Sachs, uma das principais corretoras do mundo, também apresentou queda. De acordo com o documento, o recuo foi de 5,4% para 4,9%.
Apesar de registrar um recuo do PIB no segundo trimestre, o Ministério da Economia ainda tem uma posição otimista para o crescimento do Brasil em 2021. O secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, vinculado à pasta acima, relatou que o governo continua com uma perspectiva de crescimento acima de 5%.
Em entrevista concedida à agência de notícias Reuters, Sachsida avalia que a ampla vacinação contra a covid-19 é um pilar de sustentabilidade para o crescimento de 5%.
Ele ponderou que o segundo trimestre de 2021 foi o mais trágico da saúde pública do Brasil devido ao grande número de mortos por covid-19. Com este cenário caótico, o resultado do PIB foi reflexo disso, ainda que ele tenha apresentado resiliência.
Oficialmente, o Ministério da Economia prevê alta de 5,3% para o PIB neste ano. Porém, uma nova grade de parâmetros econômicos deve ser atualizada em setembro.
Sachsida afirmou que o segundo semestre contará com uma expansão robusta da atividade, que deverá ser liderada pelo setor de serviços e por investimentos privados.
“De maneira geral, acreditamos que esse resultado do PIB mostra que estamos no caminho correto de política econômica”, disse Sachsida, complementando que é preciso insistir na agenda de reformas pró-mercado e consolidação fiscal.
Ministério da Economia entende que pandemia atrapalhou
Em nota, a Secretaria de Política Econômica explicou que o resultado negativo do PIB foi devido ao maior número de mortes provocadas pela pandemia, além de efeitos setoriais relevantes. O documento afirma que é mais relevante analisar a qualidade da economia do que observar apenas os números.
A secretaria ainda relata que as “importantes reformas pró-mercado e medidas de consolidação fiscal estão sendo aprovadas, lançando as bases para o crescimento sustentável do país no longo prazo” e destaca a melhora nos indicadores fiscais, que reduziu a projeção da dívida bruta e de um menor déficit primário para 2021 e 2022.





