A crise no setor aéreo teve um novo capítulo nesta sexta (25), com a revelação de que a Gol (GOLL4) foi ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedir sanções para duas rivais.
Segundo o Estadão/Broadcast, a empresa solicitou ao órgão que analise práticas conjuntas da Latam (LTMAQ) e da Azul (AZUL4), que “podem resultar em efeitos anticompetitivos e prejudicar o consumidor”.
A reclamação é sobre a realização de cinco rotas aéreas realizadas conjuntamente entre as rivais da Gol. Segundo a empresa, até outubro, Latam e Azul operavam, separadamente, voos entre Belo Horizonte e Guarulhos, Belo Horizonte e São Paulo, Guarulhos e Porto Alegre, Brasília e Recife e Rio de Janeiro e Vitória. Há dois meses, no entanto, isso mudou, e elas informaram ao Cade que realizariam os voos em parceria.
A Gol alegou, ao protocolar a reclamação, “que essa mudança na forma de operação da Latam e da Azul pode significar uma concentração de mercado”.
“O que se tem, na realidade, é uma relevante concentração em termos de capacidade de operação em referidas rotas, o que possibilita às companhias aéreas envolvidas efetivo exercício de seu poder de mercado, em detrimento da Gol e, principalmente, dos usuários do serviço de transporte aéreo”, alegou a empresa.
Segundo a empresa, a rota entre Guarulhos e Belo Horizonte seria a que resultaria em maior concentração, com a Azul e a Latam passando a deter 77% dos assentos em 2021, ante 62% no quarto trimestre do ano passado.
Gol pode não ter razão em reclamar, diz especialista
O consultor André Castellini, sócio da Bain & Company e especialista no setor aéreo, conversou com a reportagem do Estadão e alegou que, a princípio, não vê prejuízo ao consumidor com a parceria.
“Com o codeshare, cada uma das empresas (Latam e Azul) pode vender passagem até o avião lotar. Acaba havendo concorrência entre elas na comercialização e tem o benefício de se manter mais voos em determinada rota do que se teria sem o codeshare.”
A Latam informou, em nota, que “desde o início da implementação do acordo de codeshare manteve comunicação e vem atualizando o Cade”, posicionamento similar ao da outra empresa contestada pela Gol.
A Azul informou que também está “constantemente em contato com o Cade e sendo absolutamente transparente, notificando todas as rotas implementadas em seu acordo”.