O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Banco Central projeta mais reduções para o Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação em 2020.
Nas projeções das instituições financeiras consultadas, o PIB deve registrar uma queda de 5,89%.
A queda vem se confirmando semanalmente. Na semana passada, o boletim indicava 5,12%. Antes, 4,11%. Três semanas atrás, -3,76%. E quatro semanas atrás, -3,34%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do país, também apresentou nova queda na projeção: foi de 1,59% para 1,57%. Há quatro semanas, era de 2,20%.
Já a expectativa para a Selic, taxa básica de juros, foi mantida em 2,25%. Há quatro semanas, ela era de 3%.
A previsão para o câmbio subiu de R$ 5,28 para R$ 5,40. Há quatro semanas, a expectativa era por R$ 4,80.
- Faça o nosso Teste de Perfil e descubra o seu lugar no mundo dos investimentos
Projeções Focus para 2021
Para 2021, a expectativa para o PIB subiu de 3,20% para 3,50%. A inflação caiu de 3,20% para 3,14%. A Selic também teve queda, de 3,50% para 3,29%. E o câmbio foi de R$ 5 para R$ 5,03.
Projeções 2022 e 2023
Para 2022, as projeções apresentaram alterações para Selic (de 5,25% para 5,13%) e câmbio (de R$ 4,78 para R$ 4,80).
O PIB segue estimado em 2,50%. IPCA em 3,50%.
Para 2023, as expectativas foram mantidas para o PIB (2,50%), IPCA (3,50%) e Selic (6%). Dólar teve variação, de R$ 4,80 para R$ 4,90.
Bancos preveem queda de mais de 7% do PIB
Se o Focus prevê uma queda de 5,89%% do PIB em 2020, para o banco suíço UBS o tombo deve ser ainda maior: 7,5%. Anteriormente, os economistas das instituição previam -5,5%, mas revisaram a expectativa, diante do prolongamento das medidas de isolamento social. “Trabalhávamos com a expectativa da atividade econômica ser retomada em maio, o que não ocorreu”, explicaram, segundo o Valor.
O Goldman Sachs foi outro banco a revisar a projeção para o PIB de 2020. Era de -3,4% e foi para -7,4%. Como justificativa, a pandemia e também os riscos políticos e fiscais.
A expectativa do governo é de queda menor, de 4,7%, conforme o Boletim MacroFiscal, da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia.
Se qualquer uma das previsões for confirmada, será a maior recessão do Brasil em 120 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nesta sexta-feira (29), o IBGE divulga o PIB do primeiro trimestre. De acordo com levantamento da Bloomberg, a expectativa é de uma queda do resultado brasileiro de 1,7% na comparação trimestral.
Copom deve anunciar novo corte na Selic em junho
Atualmente em 3%, a Selic deve sofrer nova queda em junho, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. O último corte foi de 0,75 ponto percentual. A projeção do mercado é de um novo corte semelhante, o que levaria a Selic a 2,25.
De acordo com a ata do Copom, o “Comitê considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da Covid-19”.
Mas os analistas pensam em cortes bem maiores, chegando a até 1%.
Entenda o Focus
O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira.
O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são levantadas junto a 120 instituições financeiras.
- Entenda o que são debêntures