Novas reduções para o Produto Interno Bruto (PIB), a inflação e a taxa Selic no Brasil foram estimadas nesta segunda-feira (18) pelo Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central.
Nas projeções das instituições financeiras consultadas, o PIB deve registrar uma queda de 5,12% até o final do ano. A queda vem se confirmando semanalmente.
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Na semana passada, o boletim indicava -4,11%. Duas semanas atrás, -3,76%. Há quatro semanas, -2,96%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do país, também apresentou queda na projeção: foi de 1,76% para 1,59%. Há quatro semanas era de 2,23%.
Já a expectativa para a Selic, taxa básica de juros, era de 2,50%, agora, é de 2,25%. Há quatro semanas, ela era de 3%.
A previsão para o câmbio subiu de R$ 5 da última semanas para R$ 5,28. Há quatro semanas, a expectativa era por R$ 4,80.
Projeções Focus para 2021
Para 2021, a expectativa para o PIB foi mantida em 3,20%. E a taxa Selic em 3,50%. A projeção para o IPCA teve recuo: de 3,25% para 3,20%.
O câmbio é estimado em R$ 5, ante R$ 4,83 da semana passada.
Projeções 2022 e 2023
Para 2022, as projeções apresentaram alterações para Selic e câmbio. Selic de 5,50% para 5,25%. Câmbio, de R$ 4,54 para R$ 4,78.
O PIB segue estimado em 2,50%. IPCA em 3,50%.
Para 2023, as expectativas foram mantidas para o PIB (2,50%), IPCA (3,50%) e Selic (6%). Dólar teve variação, de R$ 4,67 para R$ 4,80.
Governo prevê -4,7% de PIB
Enquanto a projeção do Focus aponta para PIB de -5,12%, a expectativa do próprio governo é de queda menor, de 4,7%.
No Boletim MacroFiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, divulgado no dia 13 de maio, o governo revisou sua estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2020: de zero em março para -4,7%.
Se a previsão for confirmada, será a maior recessão do Brasil em 120 anos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Selic a 2,25% ou menos
No dia 6 de maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou um corte de 0,75 ponto percentual na Selic. A taxa básica está atualmente em 3%, seu menor registro histórico.
Mas um novo corte é aguardado para junho. O Copom reforçou na ata da última reunião divulgada no dia 12, a necessidade de um reajuste complementar de até 0,75 ponto porcentual na Selic. O que levaria a taxa ao projetado pelo Focus: 2,25% até o final do ano.
De acordo com o documento do Copom, para a próxima reunião, diante do cenário fiscal e da conjuntura econômica, o “Comitê considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da Covid-19”.
Analistas projetam cortes bem maiores até dezembro, com Selic podendo chegar a 1%. A corretora XP, por exemplo, trabalha com a expectativa de novo corte de 0,75 ponto percentual em junho, mas Selic chegando a até 1,5% ou 1% até dezembro.
Entenda o Focus
O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. Ele é divulgado toda segunda-feira.
O relatório traz a evolução gráfica e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são levantadas junto a 120 instituições financeiras.