A agência de classificação de risco de crédito Fitch rebaixou a perspectiva dos Estados Unidos de estável para negativa, após o país apresentar contas públicas deterioradas pelo combate à pandemia do novo coronavírus.
“A perspectiva foi revisada para negativa para refletir a deterioração em curso nas finanças públicas dos EUA e a ausência de um plano de consolidação fiscal credível “, afirmou a Fitch em comunicado.
Nesta semana, o mundo viu o tamanho do problema. O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos Estados Unidos registrou queda histórica de 32,9%.
O tombo era esperado, mas, apesar disso, veio pouco melhor do que o aguardado pelo mercado, que projetava recuo de 34,5%.
Entretanto, há muitos outros problemas em curso.
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Pandemia avassaladora
Os Estados Unidos o Brasil e a Índia são os países que enfrentam o pior cenário durante a pandemia. Os três ultrapassaram a marca de 1,7 milhão de casos confirmados e não observam horizonte melhor.
Pelo contrário, aparentemente apenas uma vacina eficaz e administrada universalmente em suas populações pode salvar os três gigantes de mais problemas econômicos.
Os presidentes de EUA e Brasil deram as mãos ao negacionismo, viraram as costas para a ciência e os números são aterradores. Isso obviamente impacta brutalmente na economia.
Ambos os países relaxaram medidas de combate à propagação do vírus em prol de “salvar a economia” e o resultado nos Estados Unidos já se mostra desastroso.
Além de quase 160 mil norte-americanos terem falecido pela doença, outros dezenas de milhões estão desempregados e enfrentam agora o histórico colapso do PIB no segundo trimestre.
Impasse político
O governo de Donald Trump conseguiu colocar em prática um pacote trilionário de apoio à economia (US$ 2,2 trilhões em março), mas um novo pacote enfrenta impasse político.
Esse foi um dos temas centrais da análise da Fitch.
“Os altos déficits e dívidas fiscais já estavam em um caminho crescente de médio prazo, mesmo antes do início do enorme choque econômico precipitado pelo coronavírus. Eles começaram a corroer as forças de crédito tradicionais dos EUA”, disse a agência no comunicado.
A agência afirmou o rating AAA dos EUA, mas disse que espera que a dívida do governo atinja 130% do PIB até 2021.
Mas apenas se as taxas de juros permanecerem baixas.
Entretanto, “não é certo se taxas muito baixas persistirão assim que o crescimento e a inflação aumentarem”, analisa a agência, que também vislumbra explosão nos custos com saúde e previdência.
Previsão da Fitch
A Fitch prevê ainda que o déficit atingirá 20% do PIB este ano, antes de voltar a 11% do PIB em 2021, à medida que gastosvão sendo menos necessários.
“É um truísmo que o governo dos EUA não possa ficar sem dinheiro para pagar suas dívidas”, disse Fitch. “No entanto, existe um risco potencial, embora remoto, de domínio fiscal se a dívida em relação ao PIB aumentar, colocando riscos ao dinamismo econômico dos EUA e ao status da moeda de reserva”.
O problema se agrava quando se depara com a realidade de que 2020 é um ano de eleição presidencial e Trump fará de tudo para conseguir se reeleger – inclusive mudar a data do pleito, como já andou acenando em desejo.
Fitch alertou para as consequências se o Congresso e a Casa Branca não concordarem nos próximos anos sobre o caminho para estabilizar as finanças dos EUA.
“A polarização política pode enfraquecer as instituições e reduzir o escopo da cooperação bipartidária, dificultando tentativas de resolver questões estruturais… mas também desafios fiscais de longo prazo”, afirmou a agência.
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