O Índice de Confiança da Indústria (ICI), divulgado nesta segunda-feira (28) pela Fundação Getulio Vargas (FGV) avançou 1,8 ponto em dezembro, atingindo 114,9 pontos. Este é o maior valor desde maio de 2010 (116,1 pontos). O ICI encerrou o quarto trimestre com média de 113,1 pontos, 14,7 pontos a mais do que a média do terceiro trimestre (98,4 pontos).
“O Índice de Confiança da Indústria de Transformação encerra o ano com um desempenho surpreendente e muito expressivo. Após atingir o fundo do poço em abril, a recuperação da confiança, impulsionada pelos Bens Intermediários, indica que o setor esteja em uma conjuntura favorável, com aceleração da demanda e estoques ainda em nível considerado baixo”, afirma Renata de Mello Franco, economista da FGV.
Além disso, o NUCI mostrou aumento relevante. Este volta, após mais de cinco anos, a patamar próximo à sua média histórica. No entanto, diz a economista, o resultado do mês confirma a tendência de desaceleração das taxas de crescimento dos indicadores.
“Apesar das expectativas em geral indicarem otimismo, a incerteza elevada, a falta de matérias primas, a elevação de preços e a cautela dos consumidores têm deixado os empresários cautelosos em relação ao segundo trimestre”, finaliza.
Segmentos
Em dezembro, 12 dos 19 segmentos industriais pesquisados registraram aumento da confiança. 17 se encontram em nível acima de fevereiro deste ano. Portanto, o resultado positivo do mês decorre de duas vias. Há melhores avaliações dos empresários em relação à situação corrente, quanto de expectativas mais otimistas para os próximos meses. De acordo com a FGV, ambos Índice de Situação Atual (ISA) e Índice de Expectativas (IE) avançaram 1,7 ponto, para 119,9 pontos (o maior valor da série do ISA) e 109,6 pontos (o maior valor do IE desde maio de 2011).
O indicador que mede o nível dos estoques aumentou 3,1 pontos e alcançou novo recorde, de 129,3 pontos. Houve queda em relação a parcela de empresas que avaliam os estoques como insuficientes (de 15,7% para 14,6%). E também das que avaliam os estoques como excessivos (de 8,0% para 6,5%).
Conforme os dados, em relação aos demais indicadores, houve melhora de 3,0 pontos da demanda, para 115,9 pontos. Este é o maior patamar desde setembro de 2008, influenciado pela demanda de bens intermediários e de consumo não duráveis. O indicador que mede a situação atual dos negócios caiu pelo segundo mês consecutivo para 112,6 pontos, nível ainda considerado alto em termos históricos.
Além disso, todos os indicadores que compõem o IE apresentaram resultado positivo. Houve destaque para o aumento do otimismo dos empresários sobre a evolução do ambiente de negócios nos próximos seis meses. A pontuação foi de 104,4 para 106,8 pontos, maior valor desde abril de 2013.
Ainda mais, houve aumento da parcela de empresas que preveem melhora, de 49,0% para 51,2%. E redução das que projetam piora, de 8,2% para 7,8%. Já os indicadores de produção prevista e emprego previsto variaram 1,6 ponto e 0,8 ponto, respectivamente.