O avanço do coronavírus nas últimas semanas afetou diretamente a confiança de empresários e consumidores do País, de acordo com levantamento prévio da FGV.
As sondagens realizadas pela Fundação Getúlio Vargas apontaram que os dois principais indicadores – Índice de Confiança Empresarial (ICE) e Índice de Confiança do Consumidor (ICC) – fecharão dezembro em retração, assim como nos dois meses anteriores.
O Índice de Confiança Empresarial (ICE) recuaria 1,7 ponto, chegando aos 93,9 pontos, enquanto o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) fecharia o ano em 77,6 pontos, queda de 4,1 em relação ao fim de novembro, e menor valor desde junho de 2020.
Viviane Seda Bittencourt, Coordenadora das Sondagens da FGV IBRE, explicou o cenário esperado para a virada do ano. “A mudança de humor é influenciada pela piora de expectativas diante do maior risco de uma segunda onda de contaminação, o iminente fim dos benefícios emergenciais e as dificuldades do mercado de trabalho. Entre consumidores de renda mais baixa, há ainda preocupação com a aceleração da inflação”.
De acordo com a executiva, mesmo a possibilidade da chegada das vacinas em um curto período não é garantia de que o fim da crise causada pela doença esteja próxima. “As notícias promissoras no campo da imunização são ainda insuficientes para garantir uma data certa para o fim da crise, o que faz com que empresários e consumidores se mantenham receosos em relação ao que os espera no início de 2021”.
Perspectiva para o futuro piora, segundo FGV
Os indicadores que medem a confiança dos empresários e da população pioraram tanto em relação ao cenário atual quanto para o futuro, segundo a FGV.
O Índice de Situação Atual dos Empresários (ISA-E) está previsto para fechar em 97,1 pontos, baixa de 0,9 ponto, após sete meses consecutivos de alta. O Índice de Expectativas Empresarial (IE-E) cairia 2,1 pontos e somaria a terceira baixa consecutiva, fechando 2020 em 92,5 pontos.
Em relação aos consumidores, o índice que mede a percepção atual (ISA-C) recuaria 2,5 pontos, para 69,3 ponto, enquanto o índice que calcula a visão para os próximos meses (IE-C) cairia 5,1 pontos, para 84,2 pontos.
Indústria e Comércio
A Indústria de Transformação fecharia dezembro com alta de 1,9 pontos na confiança, a oitava seguida, encerrando 2020 com 115 pontos acumulados.
Já a confiança do Comércio e do setor de Serviços apresentaria recuo pelo terceiro mês seguido, fechando em 90,6 (-2.9) e 84,1 (-1,3), respectivamente.
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