De acordo com Roberto Prado, economista do Itaú, as movimentações da política monetária norte-americana, por meio do Federal Reserve, e a sinalização dada nesta última quarta-feira (29), apontam para a possibilidade de o Banco Central do Brasil ter “um pouco mais de dovish” (predisposição a uma política monetária mais flexível), como ele mesmo aponta em recente entrevista para a agência de notícias Reuters.
No acumulado de janeiro, o Real apresentou uma depreciação de 4,89%, sendo o pior desempenho entre as principais moedas do mercado. Lembrando que nesse período o mercado voltou a elevar as fichas na possibilidade de mais cortes de juros por parte do Banco Central do Brasil.
As movimentações do Federal Reserve conseguiram manter as taxas de juros estabilizadas entre os 1,50% e 1,75% (quarta-feira). Fator apresentado na reunião de abertura da política monetária americana, com as principais autoridades sugerindo um crescimento econômico, com níveos moderados, além de um mercado mais forte para os EUA.
Por aqui, o Banco Central deverá anunciar, na próxima quarta-feira (05), a decisão tomada com relação aos juros. Uma fatia do mercado tem apostado na possibilidade de se haver um corte em torno dos 0,25% na Selic — A Selic está em 4,50% ao ano, atualmente.
Por fim, é interessante observar que, com uma política monetária mais afrouxada por parte dos norte-americanos, a tendência é de que haja mais estímulos para a migração de capital para outros mercados como, por exemplo, o Brasil.
Essa situação pode contribuir para que o preço do dólar baixe, os prêmios de risco sejam reduzidos e para a possibilidade de certa diminuição das possíveis pressões inflacionárias, permitindo um caminho mais folgado para que os cortes de juros por aqui também sejam feitos.






