A pandemia do novo coronavírus segue causando estragos até mesmo nos países mais avançados na vacinação, como é o caso dos EUA.
Nesta quarta-feira (12), dados oficiais do Departamento do Tesouro do país mostraram que o déficit orçamentário se aproximou dos US$ 2 trilhões entre outubro do ano passado e abril de 2021.
De acordo com o relatório, isso indica que o governo seguiu gastando mais do que arrecadou nos primeiros sete meses do atual ano fiscal, totalizando US$ 1,9 trilhão.
No recorte relacionado aos últimos 12 meses, o déficit dos Estados Unidos alcançou uma somatória de US$ 2,7 trilhões, equivalente a 12,2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Boa parte dos recursos foi gasta justamente para lidar com os impactos da pandemia da Covid-19, resultando em um avanço de 30% no comparativo ano a ano e em recorde absoluto na história dos EUA.
Principais gastos dos EUA
O relatório do Departamento do Tesouro apontou que boa parte do déficit orçamentário recorde foi por conta de outra marca histórica.
Os gastos avançaram para US$ 1,4 trilhão no período, 22% acima dos registrados no ano passado, principalmente com seguro-desemprego, assistência alimentar, e programas para aliviar os impactos da pandemia.
A receita tributária, por sua vez, cresceu 16% e somou US$ 2,1 trilhões, puxada pelas receitas maiores de pessoas e empresas, mais elevadas até agora, pois o Congresso adiou o prazo para o pagamento de impostos até julho.
Assim como ocorreu com os gastos, a receita tributária federal também atingiu recorde para o período do ano fiscal vigente.
Secretária do Tesouro prevê alta de juros
O relatório do Departamento do Tesouro corrobora com o que Janet Yellen, secretária que assumiu o cargo junto com o presidente Joe Biden, revelou na terça-feira da semana passada (4).
Na ocasião, ela previu que a alta de juros poderá ser necessária para “evitar que um sobreaquecimento da economia” aconteça no país.
“Mesmo que os gastos adicionais sejam relativamente pequenos para o tamanho da economia, isso poderia causar alguns aumentos muito modestos nas taxas de juros”, disse Yellen, que também é ex-presidente do Federal Reserve (Banco Central americano).
Juros baixos só no futuro dos EUA
Apesar da declaração pesada, Janet Yellen deixou claro que a possível mudança nas taxas de juros não é algo imediato.
Segundo ela, o Tesouro vem trabalhando para manter o déficit em um nível “gerenciável”, e pretende mantar as taxas zeradas, ou próximas de zero, “por um bom tempo”.
A secretária opinou também sobre o novo plano do presidente Joe Biden, de aumentar a alíquota de impostos corporativos, e foi direta.
“Taxas tributárias marginais têm menos influência sobre o crescimento do que muitos pensavam”, concluiu.






