O cenário mais provável para a negociação em curso entre Ultrapar (UGPA3), Perfin e Cosan (CSAN3) pela participação na Rumo (RAIL3) é a aquisição de aproximadamente 10% das ações da ferrovia, movimento que colocaria os compradores próximos ao limite estatutário de 15%, mas com espaço para negociação societária sem acionar a cláusula de proteção. Essa é a avaliação dos analistas do Bradesco BBI, que acompanham de perto as movimentações reportadas pela Bloomberg.
A opção por uma fatia parcial, e não integral, seria estratégica: uma transação completa da participação da Cosan poderia levantar discussões sobre tag along — tema que o banco não vê como central neste momento.
O mecanismo da poison pill é o elemento técnico que balizará a operação. O estatuto da Rumo determina que qualquer acionista que ultrapasse 15% de participação fica obrigado a realizar uma Oferta Pública de Aquisição para os demais acionistas.
OPA com prêmio
O preço dessa OPA seria definido pelo maior valor entre quatro critérios, dos quais dois são aplicáveis no momento: a média ponderada das cotações dos últimos 90 dias e um múltiplo de 6 vezes o EV/EBITDA com base na média dos dois últimos anos. O resultado é um intervalo estimado entre R$ 19,30 e R$ 21,30 por ação – prêmio de 21% a 34% sobre o último fechamento.
O Bradesco BBI destaca que esse patamar pode ser ajustado para baixo caso passivos adicionais, como arrendamentos e obrigações regulatórias, sejam incluídos no cálculo da dívida líquida.
Independentemente do desfecho societário, o banco reforça sua visão positiva sobre a companhia.
“Continuamos otimistas com a tese operacional da Rumo, especialmente diante da maior visibilidade sobre preços e volumes esperados para 2026”, afirmam os analistas.
A recomendação segue sendo de compra, com preço-alvo de R$ 21,00 – justamente no teto do intervalo estimado para a poison pill.






