A pergunta que os investidores mais fazem sobre a Weg (WEGE3) tem uma resposta clara para a XP Investimentos: sim, a empresa consegue entregar o crescimento necessário para justificar seu valuation — mesmo com um 2026 mais fraco pela frente.
Os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes conduziram uma análise linha a linha de cada segmento de negócios e chegaram a uma conclusão relativamente mais otimista do que o consenso local, embora mantenham recomendação Neutra.
“Nossa abordagem bottom-up de modelagem de receita nos leva a uma projeção de crescimento de cerca de 13% a 15% da receita ao longo da década, o que enxergamos como suficiente para justificar um P/L de 25 a 30 vezes para uma empresa de alto ROE como a Weg”, afirmam os analistas.
O argumento central é que múltiplos estruturalmente elevados fazem sentido quando a aceleração de crescimento de lucros é sustentada por tendências seculares.
O vetor mais visível é T&D (Transmissão e Distribuição), que responde por 42% do crescimento real projetado entre 2025 e 2030, impulsionado pela expansão de capacidade de transformadores no Brasil e no México e pelo ciclo plurianual de renovação de redes elétricas no mundo.
Mas a XP alerta para um ponto frequentemente ignorado pelo mercado: “investidores frequentemente subestimam a relevância dos segmentos mais cíclicos — motores industriais e automação — para a trajetória de crescimento da Weg, especialmente nos mercados externos”, destacam os analistas.
Perspectivas
No curto prazo, 2026 deve decepcionar. Câmbio menos favorável e restrições de capacidade devem limitar o crescimento de receita a 7% a 8% no ano. Mas a XP projeta aceleração para taxas de mid-teens (percentual de aproximadamente 14% a 17%) entre 2027 e 2029, sustentada pelos mesmos vetores estruturais.
As novas avenidas — condensadores síncronos, mobilidade elétrica e armazenamento de energia (BESS) — adicionam aproximadamente 3 pontos percentuais ao CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) entre 2025 e 2030, cada uma se aproximando de R$ 1 bilhão por ano até o fim da década.
No valuation, a assimetria é o conceito-chave.
“Vemos como razoável que a Weg negocie na faixa de 25 a 30 vezes o P/E, sugerindo assimetria de -5% a +21% aos preços atuais”, concluem Laghi, Urbano e Nippes.
O upside não é expressivo o suficiente para uma recomendação de compra — mas a balança pende para o lado positivo.






