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Empiricus planeja IPO no ano que vem

Empiricus planeja IPO no ano que vem

A Empiricus pretende realizar oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no primeiro semestre de 2022, conforme informou o jornal Valor.

A Empiricus pretende realizar oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no primeiro semestre de 2022, conforme informou o jornal Valor Econômico.

A empresa é conhecida pelo seu marketing digital agressivo, com mensagens que sugeriam a possibilidade de enriquecimento rápido no mercado financeiro, contribuiu para que a Empiricus se tornasse conhecida e formasse a base de 400 mil assinantes.

No entanto, esse mesmo tipo de comunicação, num tom diferente daquele usado por outros agentes no mercado de investimentos, a levou a travar uma disputa jurídica com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a criar uma imagem negativa em parte do público que hoje ela pretende atrair.

Há cerca de um ano, a empresa fez um acordo com a CVM para voltar a ser regulada como casa de análise e se comprometeu a reduzir a agressividade das comunicações. Mas agora falta convencer o público que ficou com pé atrás com o nome da empresa.

Reestruturação para abertura de capital

O caminho da institucionalização aproximaram a Empiricus de agentes de mercado mainstream, cenário que deve ficar ainda mais claro com o processo de fusão em curso com a Vitreo, que nasceu como uma gestora que criava fundos que replicavam carteiras recomendadas pelos analistas da Empiricus e hoje é também uma distribuidora de valores, oferece um homebroker com taxa zero.

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A Vitreo possui uma plataforma de investimentos rodando e hoje possui R$ 10 bilhões de clientes sob custódia, destaca o Valor.

O estreitamento dos laços com a Vitreo abriu, para a Empiricus, novas possibilidades e uma nova meta: chegar a 1
milhão de clientes. A expectativa é de que as sinergias nas áreas mais operacionais, de back office, como recursos
humanos e jurídico, podem liberar tempo dos sócios para pensar em novos produtos e negócios.

Mas, antes de formalizar a fusão com a Vitreo — que deve ser submetida em breve para aprovação do Banco
Central —, a Empiricus precisou reestruturar o grupo.

Nessa reorganização societária pré-IPO, os sócios-fundadores da Empiricus recompraram a participação da sócia americana Agora. O pagamento foi realizado com um empréstimo tomado no Santander. A empresa também vendeu  a Inversa, para Pedro Cerize e seus sócios, e deve sair da sociedade com o site Antagonista.

Além da Vitreo e da Empiricus, devem ficar sob o guarda-chuva da nova holding, chamada de Universa, os sites
Moneytimes e Seu Dinheiro, e que se encaixam na estratégia para geração de leads para o negócio principal. A Jolivi, empresa de produção de conteúdo na área de saúde, fica fora da holding.

Para realizar o IPO, os próximos passos ainda envolvem um aporte privado no curto prazo, que deve vir de investidor estratégico ou fundo de private equity.

Aposta

Em um mercado de taxas de corretagem de zero ou perto disso, a aposta da empresa é que as ideias de investimento trazidas pelos analistas da Empiricus sejam o principal diferencial para atrair e fidelizar o cliente na plataforma que hoje leva o nome da Vitreo.

Conforme Felipe Miranda, a redução de custo é replicável. O diferencial de alfa dos investimentos vem das ideias e da execução das ideias. É a estratégia de investimentos que constrói patrimônios, que vem da inteligência humana, da leitura do mercado. Se recomendamos comprar Petrobras ou Vale, BTG ou Itaú.

Mais da metadade dos recursos que a Vitreo tem sob custódia replicam ideias de investimento da Empiricus.

Apesar de apontar que o diferencial vem da análise, Miranda entende que é o negócio de serviços financeiros,
hoje debaixo da Vitreo, que aumenta medidas como o life time value dos clientes, e que ele espera que garanta para
a nova holding múltiplos de avaliação superiores aos de empresas de publicações editoriais, na hora de fazer o
IPO.

Miranda também destacou o alinhamento de interesses com os clientes como um diferencial, e diz que a Vitreo ficará sempre com uma remuneração idêntica, hoje de 0,2% ao ano dos produtos distribuídos, independentemente do rebate recebido, com o excedente sendo devolvido aos clientes. Isso, segundo ele, tira o incentivo da plataforma de vender um fundo em detrimento do outro.

No modelo mais usado em bancos e na XP, a remuneração é diferente se o gerente ou assessor vende o produto A ou B para o cliente, o que cria um conflito de interesse potencial. Plataformas como Warren, Pi e o Banco Inter também têm oferecido a devolução dos rebates aos clientes, mas os dois últimos nem sempre tem a mesma remuneração nos diferentes produtos vendidos.

Destinação dos recursos

Além da campanha institucional, os recursos serão direcionados para pagamento da dívida contraída com o Santander, e para investimento pesado em tecnologia, incluindo o desenvolvimento de um super aplicativo voltado para as decisões de investimento dos clientes.

Segundo a nota, o objetivo é que o cliente possa acompanhar notícias, ter acesso à educação financeira, ver sua carteira de investimento de forma consolidada e eventualmente ter outros benefícios de empresas parceiras, como postos de combustíveis e aplicativos de delivery. E com isso, a Empiricus também ampliaria o alcance e a personalização de suas campanhas de marketing.