SAÍDA FISCAL DO BRASIL: VALE A PENA?
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Notícias
Em 3 anos, BTG (BPAC11) quer ter 4,5 milhões de contas no banco digital

Em 3 anos, BTG (BPAC11) quer ter 4,5 milhões de contas no banco digital

Roberto Sallouti, CEO do BTG, afirma que esse número representa 15% dos 30 milhões de brasileiros com renda superior a R$ 5 mil, o universo do BTG+

O BTG Pactual (BPAC11) divulgou na manhã desta terça-feira (9) que teve lucro líquido de R$ 1,258 bilhão no quarto trimestre de 2020, crescimento de 24,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em seguida, o banco brasileiro de investimento fez um conferência sobre futuros projetos.

Roberto Sallouti, CEO do BTG, afirmou que em três anos, a instituição quer chegar a 4,5 milhões de contas no BTG+.

Segundo ele, esse número representa 15% dos 30 milhões de brasileiros com renda superior a R$ 5 mil, que é o universo de clientes público-alvo do BTG+.

“Se chegarmos a um market share de 15% a 25% desse mercado, vamos nos considerar bem sucedidos”, disse.

Publicidade
Publicidade

Grande procura

Sallouti comentou que a velocidade de adesão de novos clientes à plataforma transacional para o varejo está alta.

Desde 18 de janeiro, a instituição abriu sua operação digital para pessoas físicas a todos os interessados.

Até então, a plataforma BTG+, lançada em setembro de 2020, operava restrita aos clientes da plataforma de investimentos, a BTG Pactual Digital.

Desafios

O BTG+ terá pela frente o desafio de encontrar seu espaço num mercado já tomado por fintechs e bancos digitais, além das instituições financeiras tradicionais.

A missão se faz ainda mais difícil porque tem em vista um público não apenas bancarizado, mas também cortejado pelos rivais.

Apesar disso, Sallouti acredita que o BTG leva vantagem sobre os novos entrantes e tende a rentabilizar a operação muito antes dos concorrentes digitais.

Na avaliação do executivo, as fintechs e bancos digitais “estão tentando expandir para áreas que a gente já tem, como plataformas de investimentos, asset management ou capacidade de usar crédito”.

Para Sallouti, o BTG tem a vantagem de já ter praticamente toda a base de produtos.

“O que não tínhamos era a transacionalidade bancária. Somos o único player que consegue conciliar a rentabilidade dos bancões com a velocidade de crescimento dos novos entrantes.”

Onda do crescimento

A partir de 18 de janeiro, o BTG+ foi aberto a todas os interessados.

Segundo o executivo, os resultados alcançados no ano passado comprovam a tese da instituição de que investir em tecnologia surte efeitos positivos em rentabilidade no negócio.

“Expandimos ao varejo sem legado de tecnologia e agências bancárias”, afirmou.

“Conseguimos combinar a rentabilidade dos bancos tradicionais com crescimento de novos entrantes”, disse o CEO do BTG.

Segundo Sallouti, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) do BTG Pactual deve voltar ao patamar acima de 20% em dois anos.

Conforme o executivo, o momento é de expansão das linhas de negócios após os investimentos feitos em tecnologia para a montagem das várias plataformas do banco nos últimos anos.

“A gente brinca que passamos a arrebentação e estamos surfando a onda do crescimento”, disse.

A meta do banco é alcançar um índice de eficiência de 44% em 2021.

Com isso, ao longo dos próximos anos, a tendência é de o ROE voltar a subir para o patamar dos 20%.

Crescimento no depósito e captação

Os depósitos a vista dos clientes de varejo registraram quase R$ 3 bilhões no quarto trimestre, saindo de uma base muito pequena, disse o diretor financeiro do BTG Pactual, João Dantas.

“Funding de depósito a vista de clientes do varejo está crescendo, assim como a participação do varejo na nossa captação total”, pontuou.

Conforme o executivo, os depósito à vista de clientes de varejo no BTG estava em R$ 600 milhões no quarto trimestre de 2019, passou a R$ 1,1 bilhão nos primeiros três meses do ano passado, depois subiu para R$ 1,4 bilhão no período seguinte, indo para R$ 2 bilhões no terceiro trimestre, chegando a R$ 2,7 bilhões no último trimestre de 2020.

A base de ”funding” sem garantia do BTG Pactual encerrou os últimos três meses do ano passado em R$ 107 bilhões.

Em um ano essa base cresceu 100%, saindo de R$ 54 bilhões.

Segundo Dantas, o resultado mostra uma tendência positiva, com uma ligeira redução do custo em decorrência do maior mix de produtos e serviços oferecidos pela instituição, que incluem o varejo e mais captações locais.

Recursos vão impactar o país

Os recursos que têm sido direcionados pelo mercado de capitais ao setor produtivo podem trazer uma surpresa positiva do ponto de vista de crescimento da atividade, avaliou o CEO.

Segundo o executivo, “podemos ter uma surpresa positiva do ‘crowding in’ [aumento de investimento] do crescimento do mercado de capitais”.

De acordo com Sallouti, o mercado de capitais está direcionando muitos recursos para vários setores da economia, que vão virar investimento produtivo.

“Isso vai ter um impacto no crescimento e, como o Brasil nunca viveu um momento como esse [de expansão do mercado de capitais], tenho dúvidas se estamos modelando corretamente esse impacto.”

Disciplina fiscal

Na visão do CEO do BTG, o cenário base para o país é de manutenção da disciplina fiscal ao longo do ano.

“A gente está construtivo. Se tiver algum [novo] auxílio emergencial vai ser algo que não compromete as finanças do país, além de ser visto como algo temporário, com isso o Brasil cresce de 3,5% a 4% neste ano”, afirma.

Sallouti aponta ainda que a perspectiva é de normalização dos juros até o fim de 2022, quando a Selic poderia voltar ao patamar de 6%.

“Mas não achamos que isso vai mudar a revolução no mercado de capitais”, acrescenta.

Para o CEO do BTG, “um juro real em torno de 2% a 3% com juro nominal de 6% é totalmente compatível com o crescimento do mercado de capitais”.

Dentro desse cenário de crescimento econômico, a tendência é de que o forte desempenho do banco visto no quarto trimestre seja um “novo normal” para a instituição nos próximos períodos.