O fiscal, ainda ele… E por um bom tempo, ele deve continuar sendo o fiel da balança para o nosso real.
A boa notícia é que ao que tudo indica, o governo deve emplacar as tais PECs para equalizar os gastos para o ano que vem. Em termos, é claro, lembrando que 2022 teremos eleições gerais. As dúvidas em relação ao estouro do teto seguem no radar, porém existe uma luz no fim do túnel. A conferir…
Real: volatilidade segue nas alturas
Quando comparado com os seus pares lá fora, seguimos na primeira posição. Com uma volatilidade implícita de aproximadamente 16% nos últimos 30 dias, o real segue no topo entre as moedas dos principais emergentes. A lista segue com Rand (Africa do Sul) em 14%, 13% para Lira Turca e Rublo (Rússia) e Peso Mexicano na casa dos 9%.
E você com isso?
Volatilidade é uma medida de risco. Sendo assim, se a volatilidade de um ativo está alta, significa que a dispersão dos retornos dele está acima do normal. E a razão disto ser importante? Com a previsibilidade diminuindo, a chance de “dar errado” é muito maior do que a média. Ou seja, o real (neste caso) fica menos atrativo aos investidores. Obrigado, de nada…
Enquanto isso no Fed…
Mary Daly (São Francisco), Esther George (Kansas), Robert Kaplan (Dallas), Thomas Barkin (Richmond)… Vários membros do Fed seguem dando entrevistas comentando a respeito do risco de inflação nos EUA. E de uma eventual diminuição dos estímulos ainda em 2021… Aliás, batendo com o que temos comentado já há alguns meses. Tapering à vista, meus amigos.
Biden sofrendo para se explicar
A tomada do Afeganistão por tropas do Talibã em tempo recorde colocou o presidente americano na defensiva. Com quase 5 mil americanos ainda em solo e o caos tomando conta do país, a Casa Branca parece mesmo que foi pega de surpresa… E, apesar de parecerem assuntos não relacionados, este desastre no exterior deve atrasar os debates para os pacotes de estímulos do governo. Pelo menos por enquanto… E é fato. Credibilidade é algo que, depois de perdida, recuperar tende a ser uma tarefa extremamente árdua.
Focus: só para não passar sem falarmos dele
O Focus da semana já coloca a Selic em 7,5% para o final do ano e inflação acima de 7%… Para o curto prazo (leia-se até semana que vem,) a agenda vazia deve manter a banda de oscilação das últimas semanas.
Os R$ 5,10 seguem como piso para importadores e os exportadores aproveitando o dólar ao redor de R$ 5,30 (ou acima) para travar as posições ainda em aberto. Isso se Brasília ou Washington não trouxerem alguma novidade inesperada…
Por Alexandre Viotto, head de câmbio da EQI Investimentos