O pagamento de dividendos em 2020 foi prejudicado pela crise causada pela Covid-19. Com as empresas vendo suas operações abaladas, muitas optaram por diminuir os proventos pagos aos acionistas para poupar caixa no período mais difícil. Em 2021, porém, a situação deve mudar e já esta mudando.
Segundo um relatório da Janus Henderson, grupo de gestão de patrimônio britânico, neste ano as companhias devem distribuir, de acordo com projeções, US$ 1,39 trilhão em dividendos, algo próximo a R$ 7,2 trilhões de reais na cotação atual.
No segundo trimestre, os dividendos chegaram a US$ 471,1 bilhões, alta de 26% na comparação com o mesmo período de 2020 e apenas 6,8% atrás daquilo registrado em 2019.
De acordo com o levantamento, 84% das companhias em todo o mundo aumentaram ou ao menos mantiveram suas distribuições no segundo trimestre na comparação com a base anual. Para a Janus Henderson, dentro de 12 meses, o número deve se igualar ao de antes da pandemia, com os lucros mais fortes.
Diferença de distribuição de dividendos por regiões
Houve, porém, diferenças regionais na forma como os dividendos estão se recuperando.
Os pagamentos no Reino Unido subiram 60,9% e na Europa, 66,4%. Na América do Norte, os dividendos no segundo trimestre foram recordes, impulsionados, principalmente, pelo Canadá.
Os cortes de dividendos, segundo o documento, foram observados, principalmente, nos mercados emergentes – de acordo com a casa, ainda reflexo dos menores lucros de 2020 e de forma preventiva. Apenas 56% das companhias desses países subiram seus proventos.
Na Ásia, ignorando o Japão, houve avanço de 45% nos proventos – com impulso da Coréia do Sul, que liderou o crescimento na região. A Samsung, empresa sul-coreana, se tornou, inclusive, a maior pagadora de dividendos do mundo, ultrapassando a Nestlé: a companhia de tecnologia distribuiu US$ 12,2 bilhões até agora aos seus acionistas em 2020. O Japão, por sua vez, viu os dividendos caírem 3,2% na mesma comparação.
Entre as companhias, o destaque na distribuição de dividendos foi para as mineradoras, com lucro impulsionado pelo preço do minério, e pelas companhias de bens duráveis. Telecomunicações, produtos domésticos e alimentos, segundo o relatório, também tiveram boas margens de crescimento. Setores de viagens e lazer ainda são os mais impactados.
Além de Samsung e Nestlé, Rio Tinto, Sberbank e Sanofi completam o top cinco das empresas que mais distribuíram dinheiro aos seus acionistas