Café
Home
Notícias
Deputada pretende quebrar sigilo de contas de Whatsapp das eleições de 2018

Deputada pretende quebrar sigilo de contas de Whatsapp das eleições de 2018

Deputada pretende quebrar sigilo de contas de Whatsapp das eleições de 2018; relatora da CPMI das fake news, Lídice da Mata, deve levar proposta à comissão

A deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), relatora da CPI das Fake News no Congresso, confirmou que a comissão vai encaminhar para a Polícia Federal (PF) os números telefônicos identificados como responsáveis pelo disparo de mensagens mentirosas e caluniosas de Whatsapp nas eleições de 2018.

O próprio Whatsapp, a pedido da comissão, forneceu as informações aos parlamentares. Após análise, chegou-se aos números dos 24 maiores propagadores de mensagens que ferem a lei eleitoral.

Após a perícia da PF, a CPMI pode pedir a quebra de sigilo destes 24 números e chegar aos autores dos disparos. Só então será possível tipificar de fato os crimes e determinar punições, se for o caso.

Dentre as 400 mil contas que representantes do aplicativo afirmam que foram banidas por uso irregular durante a eleição, 55 mil tinham comportamento anormal para o aplicativo, podendo ser operadas por robôs. As 24 identificadas respondem pela maior parte das mensagens disparadas em massa.

Integrantes da comissão entendem que as informações do WhatsApp são a prova mais importante que chegou à CPI até agora.

Publicidade
Publicidade

Linhas internacionais

Reportagem do portal UOL diz que telefones com chips internacionais eram operados a partir dos mesmos endereços do Brasil, de acordo com a análise de IPs (endereços da conexão de Internet utilizada para operar as contas suspeitas), a partir dos protocolos de Internet que chegaram à CPMI.

As linhas telefônicas associadas a estes perfis possuem números dos Estados Unidos, Vietnã, Inglaterra e Brasil. Apesar das origens diversas dos números, os IPs associados às contas indicam que todas as mensagens foram disparadas do Brasil.

Os parlamentares, porém, precisarão da ajuda de um delegado e um agente da PF para aprofundar a análise dessas informações.

A deputada relatora disse que os participantes da comissão estão “verificando quais providências podem ser tomadas antes de a CPI voltar a funcionar”. Ao UOL, Lídice afirmou que “novas quebras de sigilo poderiam acontecer. Ela ponderou, no entanto, que as decisões dependem de aprovação do conjunto dos deputados e senadores que compõem a CPI”.

Abuso de poder econômico

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), integrante da CPMI, assim como a deputada, disse que as informações mostram que é possível chegar a um esquema que revele abuso de poder econômico na campanha e distribuição em massa de fake news nas eleições.

“É fazer essa localização, essa identificação. Isso aí é ponta do fio da meada de eventual processo fraudulento que pode ter sido utilizado na eleição. Identificando isso, identifica onde pode ter tipo abuso de poder econômico eleitoral e distribuição em massa de notícias falsas”, disse.

Parte dos disparos em massa beneficiaram o candidato e hoje presidente Jair Bolsonaro, além dos candidatos Fernando Haddad (PT), Henrique Meirelles (MDB) e João Doria (PSDB, ao governo de São Paulo).