O banco suíço Credit Suisse é mais uma instituição financeira que reduz a projeção de crescimento da economia brasileira. Em nova análise, nessa terça-feira (17), o banco revisou a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,4% para 0%.
A principal causa da estagnação agora prevista é a epidemia do novo coronavírus, o Covid-19, que começou a se proliferar em território brasileiro há apenas vinte dias e tende a se agravar.
A economia brasileira já vinha sentindo os efeitos da crise global, especialmente com a paralisação da China, e as projeções estavam sendo constantemente puxadas para baixo.
Com a chegada fulminante do vírus na Europa e nos Estados Unidos, o Brasil se viu no meio da crise. Agora, faz parte dela, com mais de 500 casos confirmados pelas secretarias estaduais de saúde.
Péssimas perspectivas
O primeiro trimestre, de janeiro a março, deve apresentar uma retração na ordem de 0,1%, segundo o banco suíço, em comparação com o período anterior.
Só que os suíços esperam uma queda ainda maior no segundo trimestre, de abril a junho, na ordem de 1,6%. Justamente quando a epidemia deve ter ser período mais devastador internamente, de acordo com previsões de especialistas.
O segundo semestre deve ser um período de reaquecimento, embora insuficiente. Mas tudo depende de como a crise sanitária vai se desenrolar.
Credit Suisse vê um ponto positivo
A Câmara dos Deputados, capitaneada por Rodrigo Maia (DEM-RJ), conseguiu nessa quarta-feira (18), aprovar o pedido do governo de reconhecimento do estado de calamidade pública no Brasil por conta da pandemia do novo coronavírus.
O decreto, que ainda precisará passar pela aprovação do Senado, autorizará a União a elevar os gastos públicos sem se preocupar com a meta fiscal previamente estabelecida para 2020.
O governo sugeriu decretar calamidade pública no País com medo de que a máquina pública sofresse uma paralisação e aumentasse os problemas na economia brasileira.
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que foi relator do projeto, o decreto teve apoio unânime no Parlamento, mas não será um ‘cheque em branco para o governo”.
“Vamos oferecer ao governo não um cheque em branco, mas um cheque especial que o governo deverá usar com responsabilidade”, afirmou, ao G1.
Com isso, pode haver mais fôlego fiscal para o governo colocar em prática mecanismos potencializadores da economia.
O Credit Suisse analisa que será preciso fazer investimentos, dar respiro tributário às empresas e não deixar desassistidos os desempregados em decorrência da crise. Para tudo isso, é preciso dinheiro que o governo dizia não ter e agora, com o decreto, tem.
O ponto positivo, para os suíços, é o setor bancário brasileiro sólido.
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