O presidente norte-americano Donald Trump parece ter finalmente tomado consciência da gravidade sobre a pandemia de coronavírus.
Segundo informações da BBC NEws Brasil, Trump tem pressionado pesquisadores e tentado cooptar para os Estados Unidos uma das produtoras de vacina da Alemanha.
Na tarde de segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos anunciou, aos poucos jornalistas que estiveram na Casa Branca, que o país havia começado a primeira fase de testes para a vacina contra o coronavírus.
Anúncio precipitado?
De acordo com Alex Azar, secretário de saúde do governo norte-americano, em encontro ocorrido há duas semanas com companhias farmacêuticas no Salão Oval da Casa Branca, a vacina estaria pronta para ser testada “dentro de alguns meses”.
Anthony Fauci, que está no comando do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas já há seis governos, também freou o anúncio de Trump.
Segundo Fauci, “uma vacina não pode ser implantada sem testes, o que leva pelo menos um ano”.
Trump, por sua vez, reforçou que, “para ser sincero, gosta mais de ouvir o prazo de alguns meses”.
O anúncio de Trump não reduziu o prazo inicial estipulado por Anthony Fauci.
Segundo a reportagem da BBC News Brasil, após 65 dias de desenvolvimento, o Instituto de Pesquisa em Saúde Kaiser Permanente Washington, em Seattle, aplicou a primeira dose do candidato a imunizante para Covid-19 em 45 adultos saudáveis entre 18 e 55 anos.
“Toda essa rapidez para inocular essa imunização nas pessoas só foi possível porque o laboratório aproveitou a tecnologia do estudos de vacina contra Sars e Mers, duas doenças também causadas por coronavírus, parecidas com o patógeno atual”, afirmou à BBC News Brasil William Schaffner, professor de medicina preventiva e doenças infecciosas na Universidade de Medicina Vanderbilt.
Ineficaz nessa pandemia
Segundo Schaffner, essa, no entanto, é apenas a primeira fase da pesquisa e a possível vacina não terá qualquer serventia para deter a pandemia atual.
As pessoas que receberam a dose precisarão ser monitoradas por um ano para ver se apresentam efeitos colaterais.
Apenas após esse prazo e, se os resultados forem 100% positivos, é que a possível vacina será liberada para chegar ao mercado.
“O presidente gosta de andar sempre ‘do lado ensolarado da rua’, é um otimista, mas a verdade é que não sabemos se mesmo dentro de um ano e meio teremos uma vacina eficaz. Vacina não vai nos ajudar hoje, amanhã ou daqui três meses. Ela será útil nos próximos invernos, mas certamente não para combater a situação de pandemia atual”, finalizou.
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