Sai a partir das 18h desta quarta-feira (17) a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), quanto à Selic, taxa básica de juros.
O mercado já dá como certo o início da alta da Selic a partir desta reunião. Será o primeiro avanço da taxa após sete meses no piso histórico de 2% e também a primeira vez que a Selic deve subir em seis anos.
As projeções vão de 2,25% até 2,75%, sendo grande a crença nos 2,5%. Para até o final de 2021, no entanto, as apostas sobem ainda mais: ultrapassam os 4% e chegam a até 6%.
Para o BTG Pactual (BPAC11), a Selic chega a 4,25% até dezembro. Para o sócio e assessor da EQI Investimentos Paulo Filipe de Souza, ela deve ficar entre 4% e 4,5%. O Boletim Focus, do Banco Central, que reúne as estimativas de diversas instituições financeiras, também prevê Selic a 4,5%.

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Retirada completa dos estímulos com Selic a 6%
Já o Banco Fibra e a Gestora Garde são dois a verem Selic a 6% até dezembro.
Os 6%, apontam estimativas de analistas ouvidos pelo Valor, significariam a retirada completa dos estímulos monetários do Banco Central.
A total remoção de estímulos levaria o juro básico ao nível conhecido como de equilíbrio ou neutro, consistente com atividade em pleno potencial e inflação estável.
Entretanto, o cenário atual é o oposto disto. A pandemia avança, com o país enfrentando a maior alta de novos casos e mortes por Covid-19. A inflação sobe e as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB), ao contrário, recuam.
Vale citar o último Focus, que apontou alta considerável para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 3,98% de uma semana atrás para 4,60% esta semana. Esta é a décima semana de alta consecutiva para o índice, que há um mês registrava projeção de 3,62%.
O Produto Interno Bruto (PIB), por sua vez, veio com expectativa de queda, de 3,26% para 3,32%. Há um mês, era de 3,43%.
“Acredito que ainda é cedo para cravar qual o nível de taxa de juros saudável para o Brasil”, avalia Souza, da EQI.
BC vive dilema: subir juros com economia ainda fraca
A Selic baixa representou, até aqui, um estímulo à retomada da economia, na expectativa de que os juros baixos empurrassem a inflação ladeira abaixo e estimulassem o consumo e a produção, o que não se confirmou na prática. Isto graças ao câmbio valorizado e às dificuldades próprias da crise mundial decorrente da pandemia.
Agora, o Banco Central se vê em um dilema, já que a inflação avança e o PIB recua. Ou seja, a instituição se vê pressionada a subir juros enquanto a economia enfraquece, exatamente o oposto do efeito desejado com a baixa histórica.

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Entenda, nos pontos abaixo, por que o mercado prevê a alta da Selic a partir de hoje.
Economia americana deslancha
Os EUA reúnem, hoje, uma série de fatores que estimulam a manutenção dos investimentos por lá, em detrimento dos mercados emergentes, como o Brasil.
Lá, a economia é retomada de maneira mais acelerada do que o esperado. A expectativa de alta da inflação também levaria ao aumento de juros, o que beneficiaria os papéis do tesouro americano, considerado o investimento mais seguro do mundo.
Para completar, o país recebeu uma injeção forte de dinheiro com o pacote de US$ 1,9 trilhão de Joe Biden. E a vacinação caminha bem, com expectativa de que toda a população adulta esteja vacinada até início de julho.
Real desvalorizado
Além do bom momento americano, o avanço do dólar em relação ao real foi puxado pela troca de comando da Petrobras feita pelo presidente Jair Bolsonaro e pelas incertezas fiscais.
Também pesou a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-o elegível em 2022.
Com isso, sobe o câmbio – que repercute diretamente na inflação – e sobe também o “risco Brasil”, que é o grau de confiança do investidor no país.
Preocupação com o teto de gastos
A pandemia e um possível cenário para 2022 de Bolsonaro x Lula também têm grandes chances de acabar em estouro do teto de gastos. A primeira, pela necessidade de medidas de combate ao vírus e de mais recursos para a saúde. Já o cenário eleitoral pesa porque Bolsonaro pode cair na tentação de tomar medidas populares e eleitoreiras, só de olho nos votos.
Atividade econômica desacelera
Apesar de ter um impulso forte no final de 2020, os indicadores apontam que a retomada da economia desacelerou no país. O fim da primeira rodada do auxílio emergencial explica em grande parte o cenário. Mas ainda há o recrudescimento da pandemia e as medidas de distanciamento afetando a economia.
Inflação
A inflação foi, até aqui, o ponto central do BC para manter a Selic em 2%. O discurso sempre foi de que a alta dos preços estavam contidas e a meta garantida. No entanto, por todas as outras razões citadas acima, isso não se confirmou na prática. O que era uma inflação pontual por alta do dólar e do preços das commodities se espalhou por todos os segmentos.
Como ficam os investimentos com Selic em alta?
Com a Selic ainda na casa dos 2%-3%, quem busca rentabilidade ainda deve focar na renda variável.
A renda fixa segue sendo indicada para a reserva de emergência e para o investidor altamente conservador, que realmente só quer proteger o dinheiro e não está muito preocupado com o retorno.
No entanto, com as projeções de alta da Selic até 6% ainda este ano, o investidor passa a novamente olhar com bons olhos a renda fixa. E ele deve ficar atento a dois aspectos. Os papéis atrelados à Selic ganham destaque. Mas também os ligados ao IPCA, indicador oficial de inflação.
Vale lembrar, no entanto, que uma carteira equilibrada não foca apenas em um tipo de ativo. Os papéis do Tesouro Direto e o CDI voltam a ser atrativos, sim. Mas é preciso “distribuir os ovos em mais cestas”, como estratégia de defesa e diversificação, equilibrando o desempenho dos ativos.
Por que a Selic afeta os investimentos?
A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.
Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato. O que incentiva a produção e o consumo, mas reduz o controle da inflação.
Em sentido contrário, quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, seu objetivo é conter a demanda aquecida. Isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Saber sobre a taxa Selic é importante porque a taxa funciona como um norte para montar uma boa carteira de investimentos.
A regra é: com a taxa de juros baixa, os rendimentos da renda fixa deixam de ser tão atrativos. Por outro lado, com taxa de juros alta, a renda fixa volta a ganhar destaque.





