O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ser “conversa fiada” uma possível saída sua do governo do presidente Jair Bolsonaro.
“Isso é conversa fiada. Esquece”, disse, reforçando, em seguida, ter a confiança do presidente e vice-versa. “Não tem esse negócio de sair”, reforçou.
Participando por quase 2 horas de live da XP Investimentos, neste sábado (28) à noite, comparou a situação econômica atual ao atingimento de um “meteoro”.
Ressaltou o ministro que, antes da pandemia do Covid-19, o Brasil crescia, enquanto outros países desaceleravam, na economia mundial.
Segundo ele, o Produto Interno Bruto (PIB) avançava na faixa de 2,4% e a arredação subia 20% no primeiro trimestre.
Retomada
No entanto, ele disse apostar no destravamento dos investimentos, como em saneamento e em concessões, além das privatizações e das reformas estruturantes para a retomada econômica.
Ele afirmou que o Brasil poderá dar exemplo ao mundo, “sendo um dos primeiros (países) a sair da “confusão”.
Para a retomada, Guedes ressaltou ser importante manter o funcionamento de estradas, do escoamento da safra agrícola e do abastecimento nos supermercados e farmácias. Citou que a taxa de câmbio na faixa dos R$ 5 vai ajudar nas exportações.
Medidas
Guedes reafirmou o conjunto de medidas já anunciadas, como o objetivo de injetar recursos na economia:
- R$ 200 bilhões, compulsório;
- R$ 150 bilhões, Caixa e BNDES;
- R$ 150 bilhões, em diferimentos de impostos e antecipação de benefícios;
- R$ 50 bilhões, auxílio a informais;
- R$ 40 bilhões, credito folha de pagamento;
- R$ 88 bilhões, estados e municípios.
Segundo o ministro, os valores totalizam até R$ 750 bilhões e que, se necessário, “podem crescer”.
Após os anúncios, o desafio passou a ser o de fazer com que estes recursos, que equivalem a cerca de 4,8% do PIB, chegue na ponta, pontuou.
Entretanto, ele disse que em até quatro dias deverá estar superada a etapa de operacionalização da distribuição dos recursos.
Para o ministro, entre uma e duas semanas tudo “deve estar no seu lugar”.
Isolamento
Em relação ao isolamento, o ministro afirmou que não há um consenso entre a Economia e a Saúde sobre o tempo necessário para o isolamento.
E reforçou que o governo vai comprar testes e manter o isolamento.
Sobre o tempo necessário, disse que “se for longo demais será uma catástrofe econômica e menor demais uma catástrofe de saúde”
Para ele, um tempo entre 2 ou 3 meses poderia gerar uma desorganização do setor produtivo, caso um isolamento maior ocorra.
Combate
Sobre o combate ao Covid-19 na rede pública, disse que a questão dos ventiladores pulmonares é o ponto de estrangulamento.
Segundo ele, apenas quatro empresas fabricam o produto hospitalar no país, sendo que uma estava em recuperação judicial.
Antes, do Covid-19, ele contou que o Brasil produzia 250 ventiladores por semana, mas agora está com 1.000.
Contudo, precisará chegar a 1.400.
Guedes disse ainda que a produção tem um certo grau de complexidade, mas que é possível ampliar a produção e que o governo “vai pressionar” e “pagar caro” pelos produtos para garantir o atendimento.
Ao comentar sobre os testes, conclamou empresários e grandes empresas a adquiri-los, testarem nos seus funcionários e doarem à rede publica o resto.
Citou Ambev que comprou 1 milhão, testou 70 mil pessoas (funcionários e parentes) e doou o resto.
Balanço
Até o momento, foram registrados no País 3904 casos da Covid-19, com 114 óbitos confirmados até as 17 horas deste sábado, 28 de março.
O relatório do ministério da Saúde revelou ainda que houve um aumento de 487 casos e 22 mortes nas últimas 24 horas. A taxa de mortalidade do coronavírus no País é de 2,8%.
Brasília
O ministro disse que está no Rio, pois não tinha mais como ficar no hotel em Brasília. Mas que neste domingo estará voltando a Brasília e ficará hospedado na Granja do Torto.
Guedes disse que ficou nos bastidores, preparando e negociando medidas, enquanto outros integrantes anunciavam, em referência à cerimônia do crédito à folha de pagamento, na sexta-feira, sem sua participação.
“Estou trabalhando em todas as pontas, tudo na economia passa por mim, não consigo ficar dando satisfação.”