O Cazaquistão é o segundo principal país em mineração de criptomoedas, bem como está entre os maiores exportadores de petróleo do mundo.
Recentemente, uma revolta popular por conta do aumento do combustível deixou 164 mortos no país desde o dia 2 de janeiro.
Essa ebulição das massas faz encarecer o preço dos criptoativos, e a iminência de escassez de petróleo mexe com o mercado de capitais, afetando as bolsas do mundo inteiro.
Isso mostra que na hora de investir, não basta conhecer os softwares de operação e mirar em um ativo. É preciso estar antenado acerca do que acontece no mundo, desde movimentos empresariais como fusões e aquisições, bem como conflitos e guerras.
Com o mundo cada vez mais globalizado, não existem barreiras geográficas quando o assunto é dinheiro, investimento e renda. Isso porque uma “placa de pedra que cai no mercado financeiro do outro lado do planeta, pode movimentar as águas por aqui também”.
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O estopim da revolta
No Cazaquistão, o estopim foi a liberação do preço do combustível por parte do governo, tentando equiparar ao preço praticado no exterior.
A alegação oficial era a busca de alinhamento às condições de preço do petróleo no mercado, que subiu consideravelmente. Isso fez o preço dos combustíveis dobrar do dia para a noite.
Criptoativos – Bitcoin
Desde a última sexta-feira (7) o Bitcoin já reportou uma baixa de três meses, boa parte em decorrência da crise do Cazaquistão.
Também na última semana o governo desativou a conexão de internet no país para, assim, tentar evitar ou diminuir o volume de protestos que são geralmente marcados pela web.
Vale lembrar que a Primavera Árabe ocorrida em meados de 2010 só foi possível por conta da internet, cujas mobilizações eram fomentadas na grande rede. Trata-se da onda revolucionária que varreu o Oriente Médio e o Norte da África naquele período.
No Brasil, em 2013 um levante popular foi visto em mais de 500 cidades simultaneamente, também organizado por meio da grande rede.
Voltando ao Cazaquistão, o hashrate da rede bitcoin, que é um indicador do poder computacional utilizado durante o processo de mineração despencou mais de 13%. E continua caindo.
Para se ter ideia, o hashrate da principal blockchain do mundo caiu de cerca de 205.000 petahashes por segundo (PH/s) para 177.330 PH/s, conforme dados do YCharts. Funciona assim: quanto maior a hashrate, mais segura e eficiente está a rede.
Cruz da Morte
Nesta segunda-feira (10) o Bitcoin se mantém na casa dos US$ 42 mil, cada vez mais próximo da “Cruz da Morte”, que é um indicador técnico registrado quando a média móvel de 50 dias cai abaixo da média móvel de 200 dias.
Vale lembrar que a moeda digital mais conhecida do mundo atingiu sua máxima histórica em novembro do ano passado, em torno de US$ 69 mil e caiu quase 40% desde então.
Também caiu mais de 12% nos últimos sete dias até 9 de janeiro, registrando sua maior queda semanal desde o início de dezembro.
Cabe ressaltar que a instabilidade na Região, com o conflito Rússia-Ucrânia, desestabiliza ainda mais o mercado. Porém, quanto maior o risco, maior o retorno e os investidores profissionais ajustam posição para se protegerem e também lucrarem.