A crise global gerada pelo novo coronavírus, o Covid-19, vai afetar não só a saúde mundial, com muitas mortes e dor para as famílias, como a economia. Países, empresas e pessoas precisam planejar como sobreviver em isolamento em casos em que a renda pode ser afetada, o emprego pode ser perdido e não se sabe exatamente quando a normalidade voltará.
Uma das ferramentas para casos extremos como o que mundo está vivendo no momento é o cartão de crédito. Mas é preciso usar com inteligência para não criar um problema ainda maior.
Os cinco maiores bancos do Brasil já anunciaram um pacote de medidas para prorrogar os vencimentos das dívidas para pessoas físicas e jurídicas por 60 dias. É um alívio para o caixa, mas pode ainda não ser suficiente. Só que o cartão de crédito não está englobado nesse benefício bancário. A fatura precisa ser paga.
Cartão como aliado
Ao e-Investidor, site do portal Estadão, o presidente da Visa Brasil, Fernando Teles, disse que “o cartão de crédito pode ser um instrumento poderoso para fugir de uma situação desfavorável”. Desde que usado com parcimônia.
É preciso “usar isso ao seu benefício”, ressaltou.
Dicas
O e-Investidor separou dicas para utilização segura em tempos de crise.
- Utilizar o cartão somente para as compras essenciais, sem gastos desnecessários: alimentação e remédios, principalmente.
A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, explicou ao site: “em período de crise, o primeiro passo é ajustar o padrão de vida. O isolamento social pode fazer as pessoas perderem um pouco o controle com as compras na Internet. Essa é a receita para dar tudo errado”.
- Acompanhar o extrato do cartão periodicamente e minunciosamente, controlando as compras.
- Evitar utilizar o limite do cartão, que nem sempre é compatível com a renda mensal familiar, especialmente nesses tempos excepcionais, quando a renda pode sofrer um baque; o limite não é extensão do salário e os juros são altíssimos.
O CEO da Mastercard no Brasil e no Cone Sul, João Pedro Paro Neto, falou ao e-Investidor sobre isso: “agora as pessoas precisam ter ainda mais responsabilidade ao usar os instrumentos financeiros. As compras que você faz têm que andar de acordo com a capacidade de pagamento, e não com o limite”.
- Atrasar pagamentos de contas, nem pensar; com raras exceções, como contas monitoradas pelo Estado – luz, água, gás – que, em alguns casos e para famílias de baixa renda apenas, terão a cobrança suspensa, as contas vão continuar chegando, principalmente a do cartão de crédito; o juro médio do rotativo do cartão de crédito no Brasil é de 316% ao ano.
Marcela Kawauti reforça: “evite ao máximo pagar a fatura com atraso. Se isso acontecer, fuja do pagamento mínimo, pois também ficará enforcado com os juros do crédito rotativo”.
- Pagar a fatura completa, sem parcelamento, é a melhor opção; se o dinheiro acabar, é melhor negociar um empréstimo pessoal no banco, pois os juros são menores.
- Se você é dono de um pequeno ou médio negócio, os tempos podem ser ainda mais sombrios, graças à quarentena forçada pelos governos estaduais; nesse caso, vale lembrar de não misturar a conta pessoal com a jurídica, o que pode causar descontrole tanto no caixa pessoal, quanto do da empresa.
Volta à normalidade
O Ministério da Saúde prevê que o achatamento da curva de infectados pelo Covid-19 no Brasil deve se dar só a partir de julho. Isso se as indicações de isolamento social forem levadas a sério pela população. A queda deve se dar, acentuadamente, apenas em setembro.
Isso quer dizer que provavelmente a “vida normal”, como era antes da crise, deve ser restabelecida por volta desse mês.
É preciso fazer o planejamento para o pior cenário possível, sem contar que as coisas vão melhorar antes disso, porque essa é uma doença ainda desconhecida na maior parte do seu comportamento e não se sabe exatamente o que pode acontecer daqui para frente. Há uma ideia, baseada em projeções matemáticas em países onde o surto foi controlado, como a China e parte da Ásia.
Mas a Europa está mostrando um comportamento diferente da curva, bem como os Estados Unidos.
Programar as contas para o pior cenário possível pode ser uma estratégia para sobreviver com mais calma até tudo se ajeitar. Porque, ao final, tudo vai realmente se ajustar.
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