Relatório elaborado pela equipe de macro research do BTG Pactual digital (BPAC11) aponta que o mercado de commodities nas últimas semanas foi impactado por eventos climáticos, sanitários (pandemia) e cíclicos, mas a natureza de alguns destes acontecimentos pode ser classificada como não recorrente. Os analistas indicam sentimentos difusos para o setor de commodities.
“A passagem do Furacão Ida pelo território norte-americano causou diversos problemas logísticos para o escoamento da produção, o que levou os operadores do mercado de soja a concluir que houve um deslocamento da demanda da China dos EUA para o Brasil, revertendo as compras firmes no mercado norte-americano realizadas nas primeiras semanas de agosto”, dizem os analistas Álvaro Frasson, Arthur Mota, Leonardo Paiva e Luiza Paparounis.
Apesar do Furacão Ida, a perspectiva de uma safra com produtividade mais favorável para milho e soja nos EUA, enunciada pela Crop Tour realizada pela Pro Farmer, reduziu a pressão sobre as cotações na bolsa de mercadorias de Chicago.
Esta tendência foi revertida após o último relatório do USDA – o primeiro da safra com avaliações feitas por técnicos do departamento diretamente no campo – que confirmou cenário mais favorável para a oferta, mas abaixo do consenso de mercado.
“Ainda nas questões climáticas, os impactos da forte estiagem e das geadas no Brasil seguem pressionando os preços do açúcar e do café, com o último sendo impactado também pelos problemas logísticos e produtivos a partir do lockdown decretado no Vietnã para conter o avanço da Covid-19”, diz o relatório do BTG Pactual digital.
Assim, o panorama de preços estruturalmente em patamar elevado nas commodities agropecuárias deve ser visto também nas hard commodities, apesar das ações intervencionistas da China no mercado de Minério de Ferro seguirem contratando viés baixista para os preços.
Principais highlights de cada setor de commodities
Petróleo: Cenário de fortalecimento do Dólar pode reduzir o apelo da commodity, mas a recuperação da economia global e a minimização do impacto da variante Delta ditam cenário positivo.
Minério de Ferro: Intervenções da China não deram até o momento sinal de fôlego e devem seguir direcionando os preços para baixo no próximo mês.
Soja: Expectativa com o plantio da nova Safra no Brasil pode trazer cenário neutro para os preços domésticos, visto que se espera boa produtividade. Porém, clima é um ponto de atenção.
Milho: Arrefecimento da demanda deve seguir ditando o ritmo de negociação do mercado, mas a retomada do crescimento econômico pode despontar como um elemento favorável.
Boi gordo: Mercado deve se recuperar do tombo ocorrido na primeira semana de setembro após a aparição de dois casos atípicos da doença conhecida como “o mal da Vaca Louca”.
Etanol: O combustível deve seguir os passos da gasolina no mercado interno, que pode ser impactada pelo crescimento da demanda a partir da normalização da economia.
Açúcar: Impacto das geadas continuará sendo o principal elemento de pressão sobre os preços nas próximas semanas, com as usinas podendo antecipar o fim do período de colheita.
Café Arábica: Definição das perdas nas plantações de Arábica e evolução da pandemia no Vietnã seguem contratando cenário de alta nos preços.

IC-BR: preços em alta nas últimas semanas
Observando o indicador de preços de commodities do Banco Central do Brasil, o relatório do BTG Pactual digital ressalta que as cotações em real apresentaram em agosto alta em todos os segmentos.
Diferente do mês anterior, a explicação para este direcional não é a depreciação da moeda, visto que tivemos uma apreciação do real frente ao dólar de, aproximadamente, 1% durante agosto. A alta nos preços, com destaque para o setor agropecuário, foi motivada pelo cenário de oferta mais restrita, dada às adversas questões climáticas vividas pelo Brasil.
Exportações: minério de ferro segue em destaque
O BTG Pactual digital ressalta que o superávit comercial continua bastante robusto, puxado por exportações recordes de commodities.
O superávit comercial totalizou US$7,7 bilhões em agosto, muito superior ao saldo do mesmo mês de 2020 (de US$5,8 bilhões).
Já o superávit de agosto foi o maior da série histórica para o mês.
No acumulado no ano até agosto, o saldo alcançou US$ 52bilhões, compatível com a projeção de US$ 74 bilhões para 2021.
Destaque para minério de ferro, petróleo e derivados, soja e carnes, que juntas respondem por 54% da pauta.
“Embora os preços de algumas destas commodities, em particular de minério de ferro, tenham diminuído, continuam em patamar muito acima daquele observado nos anos anteriores e não levaram a uma desaceleração das exportações destes produtos”, afirmam os analistas.
O cenário para os próximos meses segue positivo devido à expectativa de superação da variante Delta, busca pela recomposição de estoques ao redor dos mercados globais e taxa de câmbio em patamares favoráveis ao setor exportador.
Perspectivas para o petróleo
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) definiu em seu último encontro, no dia 01 de setembro, que manterá a decisão de elevar a produção em 400 mil barris de petróleo por dia, o que resultará na normalização completa até o final de setembro de 2022.
“O pedido do político Democrata ocorre na esteira da queda nos estoques de Petróleo nos EUA e na relativa estabilidade na expectativa de demanda global, que é explicada pela mitigação dos riscos relacionados ao espraiamento da variante Delta. Além disso, os últimos dados do mercado de trabalho norte-americano impediram fortalecimento adicional do Dólar, o que também colabora para que os preços do Petróleo no mercado internacional continuem negociando acima do patamar de US$70/barril”, afirmam os analistas.
Nos EUA, os estoques de petróleo nas últimas semanas apresentaram nova tendência de queda, assim como observamos entre março e abril deste ano. “Dito isso, o cenário segue de aperto na oferta americana, colaborando com a perspectiva de alta nos preços para a commodity enquanto a demanda seguir em recuperação”, diz o BTG Pactual digital.
O contrato futuro de petróleo Brent opera em alta este mês, com retomada da pressão compradora. A tendência de longo prazo é de alta, com os preços trabalhando acima da média móvel de 200 períodos, enquanto o Índice de Força Relativa indica o enfraquecimento do movimento (IFR em 53,63 e caindo nos últimos dias).
Por fim, no gráfico diário, observa-se o preço lateralizando próximo da média móvel de 21 períodos, iniciando uma congestão. No caso de uma pernada de baixa, o principal suporte se encontra no fundo anterior (65,00).






