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BTG tem recomendação neutra para Via (VIIA3): e-commerce segue desafiador

BTG tem recomendação neutra para Via (VIIA3): e-commerce segue desafiador

O GMV (volume bruto de mercadorias) total da Via (VIIA3) caiu 7% a/a e as vendas líquidas caíram 14% a/a (3% abaixo da projeção), segundo o BTG (BPAC11).

O GMV (volume bruto de mercadorias) total da Via (VIIA3) caiu 7% a/a e as vendas líquidas caíram 14% a/a (3% abaixo da projeção), segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (10) pelo BTG Pactual (BPAC11).

Os resultados do 4T21 mostraram uma queda de 7% a/a no GMV total (vs. +5,7% no 3T21 e +51% no 2T21), em linha com as estimativas, com GMV online crescendo 20% a/a (6% acima da estimativa), impulsionado pelo desempenho de sua operação 3P (GMV crescendo 68% a/a), com um take-rate médio de 7,7% (vs. 6,2% no 3T21), atingindo 133 mil sellers (vs. 108 mil no 3T21) e 41 milhões SKUs (vs. 34 milhões no 2T21).

A operação 1P cresceu 7,7% a/a e as vendas digitais atingiram 55,7% do GMV total (vs. 47,2% no 3T20).

Como resultado, a receita bruta caiu 15% a/a para R$9,5 bilhões, impulsionada por uma queda de 24% a/a na operação de lojas físicas (o SSS caiu na mesma proporção), parcialmente compensada pelas vendas online (crescimento de 10% a/a), enquanto as vendas líquidas consolidadas caíram 14% a/a (3% abaixo de nossa expectativa).

Ebitda ajustado de Via fica 7% acima da projeção

A Via reportou uma série de ajustes em seus números operacionais devido a provisões trabalhistas no trimestre, conforme anunciado no 3T21 (com impacto negativo de R$ 93 milhões no Ebitda e -R$ 96 milhões no resultado líquido), que o BTG excluiu para manter a comparabilidade.

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O lucro bruto atingiu R$ 2,3 bilhões (queda de 14% a/a e 7% abaixo da expectativa), com margem bruta de 29,2% (aproximadamente estável e 120bps abaixo do esperado), pois uma maior participação das vendas online foi compensada por melhores acordos comerciais e crescimento das receitas de serviços financeiros no período.

As despesas SG&A (vendas, gerais e administrativas) como % da receita líquida diminuíram 160 bps a/a, principalmente devido a menores despesas trabalhistas (devido ao desempenho mais fraco na operação de lojas físicas e comissões mais baixas), bem como uma queda nas despesas/subsídios de marketing.

O Ebitda ajustado foi de R$ 734 milhões, crescimento de 7% a/a e 7% acima da projeção, com margem Ebitda ajustada expandindo para 9,0% (aumento de 180bps a/a).

O lucro líquido ajustado (excluindo provisões trabalhistas) atingiu R$ 125 milhões, uma queda de 32% em relação ao 4T20 e acima da estimativa de R$ 1 milhão.

A Via encerrou o 4T21 com R$ 1,8 bilhão em caixa (vs. R$ 1,6 bilhão no 3T21), R$ 4,5 bilhões em dívida bruta e R$ 3,8 bilhões em recebíveis de cartão de crédito, com seu caixa líquido reduzido de R$ 3,2 bilhões vs. 4T20 para R$ 2,1 bilhões.

BTG continua conservador no ecommerce brasileiro

Na frente operacional, apesar dos resultados acima do esperado e dos sinais qualitativos positivos (por exemplo, aumento no número de sellers e SKUs na operação 3P), o BTG diz que continua cauteloso com o e-commerce brasileiro no curto prazo.

Além do debate (global) em torno da espiral inflacionária e do aumento das taxas de juros, com impacto no custo do capital próprio, três preocupações principais pesaram sobre as ações de tecnologia no Brasil recentemente, e devem persistir nos próximos meses: (i) desaceleração do e-commerce local, principalmente para operadoras de 1P e de eletrônicos, (ii) concorrência de players nacionais e internacionais (mais descontos e subsídios e CAC crescente), e (iii) preocupações com níveis de margem sustentáveis para players de e-commerce, dada a perspectiva competitiva à frente.

Uma potencial reclassificação de VIIA3 dependerá não apenas da monetização dos créditos tributários, que estão de acordo com as estimativas da empresa, mas também de uma recuperação sustentável do tráfego de pessoas nas lojas, do desempenho de seu negócio de e-commerce (especialmente um sólido progresso em novas categorias na sua divisão de marketplace) e a monetização do GMV nos próximos trimestres.

Assim, a recomendação é neutra com preço-alvo de R$ 8.