A Rede D’or (RDOR3) reportou resultados “muito fortes” no 2TRI21, diz análise do BTG Pactual (BPAC11). Houve destaque com recordes em receitas, EBITDA e lucro líquido.
No total, os resultados do 2º trimestre foram marcados por um forte ticket médio, retomada de frequências e outra recuperação nas taxas de utilização (impressionantes 83%), diz o BTG.
A empresa registrou receita líquida recorde de R$ 5,22 bilhões (5% acima do BTG), + 89,5% a/a (em base de comparação fácil) e + 10,5% t/t, impulsionado por mais leitos operacionais (+ 7% t/t), ticket médio maior e a consolidação de quatro ativos de M&A.
O EBITDA contábil da Rede D’or (RDOR3) foi muito sólido em R$ 1,24 bilhão (vs. 2T20 – R$ 138 milhões; + 10% t/t; em linha com o BTG), alcançando nível recorde, rendendo uma margem de 24% (estável t/t).
De acordo com a Rede D’or (RDOR3), ao excluir despesas com plano de opção de compra de ações (R$ 80 milhões), custos extraordinários relacionados à Covid-19 (R$ 212 milhões vs. R$ 127 milhões do primeiro trimestre) e outros pequenos itens não recorrentes, principalmente relacionado às despesas de M&A (R$ 30 milhões), o EBITDA ajustado seria de R$ 1,56 bilhão (16% acima do BTG), um aumento de 18% t/t.
O lucro líquido (após minoritários) totalizou R$ 445 milhões (+ 19% t/t; em linha com a projeção).
O ROIC ajustado de 12 meses foi de 18,8% contra 15,1% no primeiro trimestre.
“Nossos números estavam acima do consenso, então esperamos uma reação positiva do mercado”, dizem os analistas.
Melhores taxas de utilização
As receitas e as margens foram da Rede D’or (RDOR3) muito fortes novamente.
A receita de oncologia (8% das receitas) aumentou 34% a/a e 10% t/t, enquanto a receita dos hospitais e outros serviços cresceu +95% a/a em base de comparação fácil, e 11% t/t.
Os indicadores operacionais foram muito sólidos no 2º trimestre, diz o BTG. O número de leitos operacionais cresceu 7% t/t para 8,78 mil (vs. capacidade total de 9,61 mil), implicando uma sólida capacidade operacional de 91%.
“Mais importante ainda, refletindo a retomada das internações cirúrgicas juntamente com hospitalizações de Covid-19, as taxas de utilização foram uma surpresa positiva (em 83%, + 350 pontos base t/t) atingindo o maior nível trimestral nos últimos três anos (principal motivo para a receita líquida do 2º trimestre)”, afirmam os analistas.
O tíquete médio expandiu ~20% a/a. Refletindo maior alavancagem operacional, a margem EBITDA ajustada expandiu 180 pontos-base t/t para 30%.
Aumento de capital + melhor EBITDA = endividamento mais saudável
Apesar dos desembolsos de M&A (R$ 1 bilhão) e capex orgânico (R$ 447 milhões, – 37% a/a), a dívida líquida (ex-IFRS16) quase não mudou, encerrando o segundo trimestre em R$ 7,5 bilhões (de R$ 7,45 bilhões no 1T21), graças ao aumento de capital de R$ 1,8 bilhão em maio.
Além disso, o BTG viu uma relevante desalavancagem (de 2,5x Dívida Líquida/EBITDA no primeiro trimestre para 1,7x no segundo trimestre) refletindo um EBITDA mais forte.
A Rede D’or (RDOR3) consolidou quatro aquisições no 2º trimestre: Balbino (141 leitos), Hospital América (112 leitos), Hospital Serra Mayor (102 leitos) e Biocor (350 leitos).
Outros ativos adquiridos recentemente (HNSN, Proncor e Hospital Santa Emilia) ainda aguardam fechamento.
Rede D’or (RDOR3): números consistentes com
O BTG diz que ficou surpreso com os números de alta qualidade do Rede D’Or, que mostram que seus fundamentos permanecem sólidos.
O banco reiterou a classificação de compra em Rede D’Or, pois oferece um combinação atraente de (i) momento dos lucros (os resultados do segundo trimestre foram a prova disso); (ii) forte atividade de M&A; e (iii) valuation que parece atraente considerando as perspectivas de maiores lucros (~1,4x PEG 22-25).
“Também acreditamos que a recente inclusão de Rede D’Or no índice Ibovespa deve melhorar a performance das ações”, dizem os analistas.
O preço alvo é de R$ 90.