O BTG Pactual (BPAC11) avaliou a atuação do Nubank (NUBR33) no primeiro trimestre, em novo relatório que foi divulgado nesta sexta-feira (20). Segundo o banco de investimentos, a instituição encontrou alguns obstáculos com o seu valuation. Desta forma, o BTG atualizou o seu rating para neutro, ao novo preço-alvo de R$ 3,20.
O relatório destacou a história de crescimento do Nubank, que poderá ser a maior fintech da América Latina em um prazo de 5 a 10 anos. Apesar da estabilidade, a empresa sofre com o valuation e com a deterioração da carteira de crédito.
O valor de mercado do Nubank é de US$ 19,9 bilhões, o que está abaixo de outras instituições financeiras como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil. Vale lembrar, que a empresa foi rebaixada para venda em 10 de fevereiro e desde então sofreu queda de – 58% nas ações. Os papéis estão sendo negociadas a 4,6x P/VP.
Crescimento do Nubank (NUBR33)
O Nubank apresentou bons resultados no primeiro trimestre de 2022, o que demonstra um crescimento orgânico. A instituição atingiu 60 milhões de clientes, o que representa expansão de 11% no trimestre, com 78% de ativação.
A carteira de crédito total também progrediu, para 34% no t/t. Estes números estão atrelados ao aumento de 44% na receita média por clientes, que ficou 16% acima das estimativas. O BTG também destacou a melhora na métrica de custo de serviço e em NPLs (inadimplência).
“definitivamente esperaríamos que a ação reagisse positivamente com base nesses resultados. Mas,
considerando como o mercado mudou e a potencial deterioração do ciclo de crédito no Brasil, principalmente para empréstimos sem garantias/ consumidor de baixa renda, os investidores optaram por ver o copo meio vazio. As ações subiram +10% nas negociações intradiárias de terça-feira, mas terminaram o dia em queda de 6%.” informou trecho do relatório
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Aumento na inadimplência
O relatório realçou o aumento na inadimplência do financiamento ao consumidor, que é aquela que está atrelada aos empréstimos pessoais e de cartão de crédito. Segundo o BTG, houve crescimento de 70bps t/t para 4,2% e o maior impacto aconteceu no índice de inadimplência de 15 a 90 dias, que progrediu de 110bps para 3,7%.
Para o Nubank, este cenário está relacionado aos ajustes dos números para a sazonalidade e ao mix de produtos (2014-19), e desta forma, a inadimplência teria crescido 30bps t/t em 90 dias. A instituição ressaltou que não houve impacto no índice de 15 a 90 dias
.
“Nunca vimos ninguém no setor financeiro brasileiro crescendo em um ritmo tão rápido em empréstimos sem garantia sem enfrentar problemas pela frente. E o forte crescimento até agora provavelmente “dilua” os NPLs à medida que o denominador (ou seja, empréstimos) se expande. Naturalmente, em um ambiente de inflação/juros mais altos, potencial recessão nos EUA e eleições presidenciais no Brasil, os investidores (e nós mesmos) estão preocupados com as inadimplências.” explicou o BTG.
PIX e crescimento em depósitos
A empresa anotou US$ 12,6 bilhões em seus depósitos no período e este valor representa crescimento de 94% ao ano e 11% no trimestre e em ambos os casos, com neutralidade relacionada ao câmbio. O depósito com juros representou o percentual de 24% e desta forma, o Nubank conseguiu se posicionar entre as dez maiores bases de depósitos no Brasil.
“Lançou o NuPay, oferecendo várias opções de pagamento aos consumidores em circuito fechado (eles podem até usar um produto de crédito BNPL, que incentiva a originação de crédito e conversão de compra) enquanto cobra MDRs e taxas de pré-pagamento de marketplaces/lojas online.” realçou o relatório
Também houve grande expansão de chaves PIX, vale lembrar, que o Nubank possuía o maior número de chaves registradas no mês de outubro de 2020.
Neutralidade
O rápido crescimento no número de empréstimos pode representar um risco para o Nubank, principalmente no segmento de baixa renda, o que pode contribuir para o aumento nas taxas de inadimplência. Também é previsto a expansão da receita de tarifas, NII, estimativas de provisões e opex.
“No geral, agora esperamos um prejuízo líquido 57% menor para 2022 e um lucro líquido 21% maior no próximo ano, mas decidimos ser mais conservadores com nossos números a partir de 2023, com o resultado líquido 17-34% menor para 2024-25, respectivamente.” projetou o banco de investimentos.
Por fim, o BTG aumentou o custo de capital próprio (COE) do Nubank em 50bps, para 13,5%. Desta forma há redução no preço-alvo das ações do final de 2022, de R$ 7,50 para R$ 3,20.






