A CCR (CCRO3) reportou números acima das estimativas do BTG Pactual (BPAC11) no 2TRI21.
A receita líquida pró-forma (sem construção) foi de R$ 2,4 bilhões (+ 34% a/a; 9% acima do BTG) e o EBITDA ajustado pró-forma ficou em R$ 1,5 bilhão (vs. R$ 894 milhões no ano passado; 11% acima da estimativa).
O lucro líquido foi fraco em R$ 44 milhões (vs. -R$ 142 milhões no ano passado e a estimativa do BTG era de R$ 218 milhões).
A empresa registrou um aumento de 89% a/a na depreciação e amortização, principalmente devido ao desembolso do acordo preliminar com o estado de São Paulo.
Essa conta foi reconhecida como um ativo intangível, debitando um passivo como obrigação de pagar de R$ 1,2 bilhão, levando a divergência do lucro líquido reportado e as estimativas do BTG.
Desempenho de tráfego estável t/t
O tráfego consolidado cresceu 34% a/a (estagnação t/t; 12% abaixo da estimativa), impulsionado principalmente por um (i) aumento de 40% a/a na NovaDutra (estável t/t; 13% abaixo do BTG); (ii) crescimento de 35% na ViaOeste (+ 3% t/t; 12% abaixo do BTG); e (iii) um aumento de 28% a/a na AutoBAn (+ 2% t/t; 13% abaixo da estimativa).
Excluindo a ViaSul e a ViaCosteira, o crescimento do tráfego foi de 28% a/a.
“Sinalizamos que 2T20 foi o pior momento da pandemia, com intensas medidas de distanciamento social, levando a uma base de comparação fácil. O desempenho foi mais fraco do que os dados divulgados pela ABCR no período, que mostrou uma recuperação do tráfego nacional de 37% a/a (+ 44% a/a em veículos leves e + 21% a/a em pesado) e uma diminuição de 4% t/t (-6% t/t em veículos leves e + 3% t/t em pesados)”, diz o BTG.
Em termos de desempenho operacional, o EBITDA ajustado pró-forma (incluindo a margem da ViaQuatro) foi de 61% (110 pontos base acima do esperado).
Os custos caixa na mesma base de comparação e os custos caixa das operações locais (excluindo ativos internacionais) ambos também ficaram estáveis no ano.
A dívida líquida/EBITDA (pró-forma) caiu ligeiramente para 2,3x (vs. 2,5x no último trimestre).
O Capex foi de R$ 325 milhões no trimestre (estável t/t).
“Destacamos os seguintes eventos durante no trimestre: (i) o Metrô Bahia recebeu R$ 70 milhões referente a contraprestações do Poder Concedente; (ii) a CCR pagou as taxas de concessão das Linhas 8 e 9, totalizando R$ 995 milhões que foram registrados como adições ao ativo intangível; e (iii) AutoBAn, ViaOeste e SPVias incorreram em desembolsos em função da assinatura de um acordo preliminar com o estado de São Paulo”, dizem os analistas.
Patrimônio líquido (equity) da CCR permanece sólido
A empresa já opera com tráfego acima dos níveis pré-COVID, indicando a retomada da demanda, impulsionada principalmente por veículos pesados.
Além disso, o BTG sinaliza que durante o trimestre, a empresa assinou o termo preliminar referente aos desequilíbrios contratuais com o estado de SP, ao mesmo tempo em que conquistou os direitos de concessão das Linhas 8 e 9 e dos blocos central e sul da 6ª rodada de licitações de concessões aeroportuárias, que estão estrategicamente alinhados ao atual portfólio e a estratégia de crescimento da CCR.
“No futuro, esperamos que a empresa continue buscando ativamente novos investimentos com base no sólido pipeline de projetos de infraestrutura do país. Com a continuidade do pipeline de leilões de infraestrutura neste ano e no próximo, bem como o fluxo de notícias de reequilíbrios contratuais, os investidores devem aumentar a confiança na companhia. Continuamos compradores”, diz o BTG.
Assim, o preço teto é de R$ 18.