Os resultados do balanço do primeiro trimestre de 2021 da Ambev (ABEV3) surpreenderam o BTG (BPAC11). Em relatório publicado nesta quinta-feira (06), os analistas afirmaram que a companhia entregou um “trimestre quase perfeito”.
A percepção é embalada por um Ebitda “crescendo impressionantes 24% a/a para R$ 5,3 bilhões”, 8% acima da projeção do BTG e do consenso.
A margem do Ebitda consolidado de 32% representou uma contração de 160bps a/a devido aos custos mais altos, de forma que as vendas de R$ 16,6 bilhões foram 28% maior a/a com um crescimento de volume de 12%. Esses fatores, segundo os analistas, explicam quase totalmente o porquê de Ambev superar as estimativas.
O LPA de R$ 0,17 mais do que dobrou a/a e ficou 18% acima do esperado, principalmente devido à menor provisão para imposto de renda.
O debate sobre o poder de precificação da cerveja no Brasil
Pelo terceiro trimestre consecutivo, o preço médio da cerveja no Brasil cresceu acima das expectativas e do CPI da cerveja em 13% a/a (estável t/t), com descontos menores (4,2% das vendas brutas da controladora contra 7,4% um ano atrás) e a premiumização contínua.
O crescimento de volume de 16% a/a da Ambev veio em linha com a projeção do BTG e à frente da indústria, com um carryover positivo dos ganhos de participação de mercado do ano passado.
“As novas ferramentas de gestão de receita da Ambev, em um momento em que a concorrência ainda luta com problemas de embalagem e suprimentos, juntamente com o lançamento digital de sucesso (estimamos que a plataforma Zé Delivery contribuiu com mais de 8% das vendas no Brasil), sugerem que a Ambev está construindo uma base sólida para o mercado pós pandemia”, dizem os analistas Thiago Duarte, Henrique Brustolin, Ricardo Cavalieri e Luiz Temporini.
A questão é se parte disso vai recuar quando a vida voltar ao normal.
Os números acima das expectativas também ficaram concentrada em LAS (América Latina Sul), com volume sólido e desempenho de preços (embora o último possa permanecer volátil), e Canadá, onde o volume cresceu acima das expectativas devido a ganhos de participação de mercado.
Potencial de aumento para as estimativas de Ambev
Ao discutir as perspectivas para o restante do ano, a Ambev sugeriu que as despesas de vendas, gerais e administrativas poderiam crescer mais rapidamente nos próximos trimestres com provisões de bônus mais altas e alocação de despesas com vendas.
No entanto, o melhor desempenho de vendas levou a Ambev a apostar que o EBITDA consolidado do exercício “deve melhorar para voltar aos níveis de 2019”.
Isso não apenas sugere que a Ambev está obtendo resultados mais sólidos com os esforços de vendas e marketing, como o guidance implícito representaria um aumento de ~5% em relação à estimativa abaixo do consenso, diz o BTG.
“Permanecemos neutros, pois o valuation, mesmo sob a postura mais otimista da Ambev, ainda parece exigente em comparação com o histórico e seus pares, enquanto procuramos sinais de que o poder de precificação, sua principal fonte de valor, permanecerá forte após a pandemia”.
Por fim, o preço-alvo do BTG para Ambev é de R$ 15.






