O encerramento do primeiro trimestre de 2026 se aproxima e traz sinais mistos para o varejo. Após um início de ano marcado por incertezas econômicas e continuidade na alta taxa de juros, o setor vem apresentando crescimento modesto, sustentado principalmente pelo aumento do consumo em segmentos específicos e pela recuperação gradual da confiança do consumidor.
Segundo dados preliminares de institutos de pesquisa econômica, o varejo ampliado registrou alta de quase 2% em relação ao mesmo período de 2025. Esse desempenho está sendo impulsionado pelos eletrodomésticos, artigos de uso pessoal e alimentos, que se beneficiaram de promoções e da ampliação no avanço das vendas on-line. Por outro lado, vestuário e móveis ainda enfrentam retração, reflexo da cautela das famílias diante de um cenário de crédito mais restrito e endividamento.
A taxa básica de juros, embora com sinalização de queda para a próxima reunião do COPOM, ainda se mantém em patamar elevados (15% a.a.), o que limita a expansão do consumo financiado que é uma grande alavanca para os gastos e investimentos das famílias, até porque, a muito tempo se fala que “…o brasileiro não compra o produto, bem de consumo, ele compra a parcela…”.
Esse comportamento um pouco mais seletivo do consumidor brasileiro tem levado o varejo a rever suas estratégias, investindo mais em canais digitais, programas de fidelidade incluindo mais cash backs, com ofertas personalizadas, otimização logística de custos e essencialização de sua gama, muitas vezes reduzindo o sortimento.
Outro fator relevante foi o desempenho das vendas on-line, que além de apresentar novos competidores como Temu e AliExpress agora mais presente no Brasil e os já consolidados Mercado Livre; Amazon e Shoppe, manteve crescimento acima da média do varejo físico. A famosa integração entre lojas físicas e plataformas digitais “omnichannel” atrelado ao desenvolvimento do delivery tornou-se necessidade praticamente obrigatória, “básica” e custosa aos varejistas, permitindo melhor experiência e conveniência.
No campo macroeconômico, a expectativa de redução dos juros para o patamar de 12,25% a.a. no final de 2026 e de possível suave melhora no câmbio impulsionado pelos problemas geopolíticos envolvendo tarifas e as guerras, possivelmente favorecerá a economia brasileira e o consumo nos próximos meses de 2026. Entretanto e por outro lado, a pressão sobre a inflação é algo que se deve ter muita atenção já que haverá possivelmente alta dos combustíveis já que os Brent já atingiu patamares bem elevados em função da guerra.
Enfim, para que não ocorra mais um famoso “voo de galinha”, se torna muito importante e prementemente a necessidade dos ajustes fiscais de forma célere e profunda, mesmo que em um horizonte gradativo de curto médio prazo.
Em síntese, o final do primeiro trimestre de 2026 se aproxima, mostra um varejo brasileiro resiliente em processo adaptativo com crescimento modesto. O crescimento, diante de desafios estruturais, conjunturais e até globais, embora tímido, indica a persistência do setor que além de robusto, importante é um dos maiores empregadores no País. A capacidade de inovar inclusive com novas tecnologias e introdução da I.A., diversificar e integrar canais e compreender o novo perfil de consumo será determinante para manter competitividade e aproveitar das oportunidades no restante de 2026 que pode ter um primeiro semestre surpreendentemente melhor que o mesmo período do ano anterior.






