A receita da fibra (FTTH) da Oi (OIBR3) superou a de cobre, e os resultados do 2TRI21 foram em linha com as estimativas conservadoras do BTG (BPAC11).
A grande queda na receita veio principalmente dos negócios descontinuados da operadora.
As receitas de operações continuadas (aquelas que permanecerão em vigor após as vendas de ativos) caíram 2,6% a/a. O maior impacto veio novamente das receitas de B2B (-10,6% a/a), mais especificamente do segmento corporativo (-14%), que continua a ser impactado pelo cenário econômico do país.
Pelo lado positivo, as receitas fixas da Oi aumentaram ano/ano pela primeira vez em sete anos.
As receitas de fibra (FTTH) estão compensando totalmente a queda nos negócios legados e agora são maiores do que as receitas de cobre.
O EBITDA foi de R$ 1,3 bilhão (-5,5% a/a).
FTTH crescendo rapidamente: 2,8 milhões de clientes FTTH
A implantação da fibra continuou em um ritmo muito rápido no 2TRI21 na Oi.
As vendas de FTTH atingiram R$ 654 milhões (+156% a/a) e a Oi encerrou o trimestre com 12,0 milhões de HPs e 2,8 milhões de casas conectadas (HCs) (taxa de aceitação de 23,6%).
A expansão da rede de fibra continuou em um ritmo acelerado (70% do Capex de R$ 1,9 bilhão do 2TRI21 foi para fibra), tendo ultrapassado 1,5 milhão de residências e adicionado 366 mil clientes somente no segundo trimestre.
A receita média por cliente (ARPU) de fibra também cresceu para R$ 87 (+7,3% a/a).
Dívida líquida aumentou ligeiramente t/t
A Oi encerrou o trimestre com R$ 3,4 bilhões em caixa e dívida líquida de R$ 25,7 bilhões, R$ 0,5 bilhão a mais que no 1T21.
Embora a dívida tenha aumentado pouco, isso ocorreu porque a valorização do real reduziu o valor em reais da dívida denominada em dólares.
“Na verdade, a Oi consumiu R$ 2,1 bilhões em caixa no 2TRI21. O EBITDA, ajustado pelas despesas de leasing, menos capex (OpFCF), foi negativo em R $ 1,1 bilhão. Despesas financeiras líquidas de R$ 705 milhões, necessidades de capital de giro de R$ 314 milhões e outras obrigações de R$ 326 milhões somam-se ao consumo de caixa, que foi parcialmente compensado por R$ 291 milhões em receitas de vendas de torres”, diz o BTG.
Algumas dessas despesas estão concentradas no 2T21, e não devem se repetir no 2S21.
Bom potencial de alta para a Oi
Nos valores atuais, o BTG vê as ações da Oi com um desconto excessivo.
“Estamos confiantes de que a venda da operação móvel e da empresa de infraestrutura, será concluída de forma satisfatória e prevemos um bom crescimento proveniente dos negócios de fibra da empresa. Recomendamos a compra do papel com preço alvo de R$ 2,30 (refletindo basicamente sua participação na InfraCo)”, dizem os analistas.