A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla em inglês) divulgou nessa segunda-feira (20) relatório que mostra que, enquanto o fluxo de investimento direto estrangeiro teve uma queda de 1% em âmbito global, o Brasil foi na contramão e viu esse fluxo crescer 26% em 2019.
O país recebeu US$ 75 bilhões no ano passado, contra US$ 60 bilhões em 2018. Assim, o Brasil fechou o ano em quarto lugar em recepção de investimentos, atrás dos Estados Unidos, com US$ 251 bilhões; da China, com US$ 140 bilhões; e de Cingapura, com US$ 110 bilhões.
A América do Sul inteira recebeu US$ 119 bilhões, de modo que o Brasil representa 63,02% de todo investimento feito no continente.
Privatizações
O relatório da UNCTAD aponta as privatizações como responsáveis por esse aporte positivo.
“O Brasil registrou aumento de 26%, para US$ 75 bilhões, parcialmente impulsionado pelo programa de privatizações lançado em julho como parte dos esforços da administração para acelerar a economia. A primeira dessas privatizações envolveu uma companhia de distribuição de gás (…) comprada por um consórcio de investidores liderado pela francesa Engie por quase US$ 8,7 bilhões”, diz o relatório.
Em 2020, a UNCTAD prevê mais investimentos no Brasil, de olho em privatizações de gigantes como a Eletrobras e Telebras.
FDI em números
No mundo todo, Investimento Estrangeiro Direto (FDI, na sigla em inglês) recuou de US$ 1,413 trilhões, em 2018, para US$ 1,394 trilhão no ano passado, o que representa 1%.
Nas economias desenvolvidas, o FDI foi de US$ 683 bilhões em 2018 para US$ 643 bilhões em 2019, uma queda de 5,8%. A Europa também apresentou recuo: partiu de US$ 286 bilhões para US$ 274 bilhões em 2019, ou 4,19%.
A América do Norte permaneceu praticamente estável, com mínima elevação, saindo de US$ 297 bilhões para US$ 298 bilhões, um acréscimo de 0,33%.
Já os países em desenvolvimento, houve uma mínima queda, de US$ 696 bilhões para US$ 695 bilhões, o que representa menos 0,14%. A região que mais teve avanços, muito graças ao Brasil, foi a América Latina e Caribe, passando de US$ 145 bilhões para US$ 170 bilhões, acréscimo de 17,24%.
As dez mais
Além de Estados Unidos, com queda de 1,18%; China, com aumento de 0,72%; Cingapura, com subida de 41,02%; e o Brasil; os países que mais receberam investimento direto estrangeiro em 2019 foram o Reino Unido (queda de 6,15%, de US$ 65 bilhões para US$ 60 bilhões, reflexo das incertezas do Brexit), a China e Hong Kong (que brutal de 47,11%, de US$ 104 bilhões para US$ 55 bilhões, por vários motivos, entre eles a guerra comercial com os EUA e a crise social em Hong Kong), a França (aumento de 40,54%, de US$ 37 bilhões para US$ 52 bilhões); a Índia (aumento de 16%, de US$ 42 bilhões para US$ 49 bilhões), e o Canadá (acréscimo de 8%, de US$ 43 bilhões para US$ 47 bilhões).
O décimo país da lista é a Alemanha, que teve um acréscimo de 233%, passando de US$ 12 bilhões para US$ 40 bilhões.
Esse foi o melhor resultado para o Brasil desde 2012, quando estava na terceira posição do ranking e o FDI bateu em US$ 82 bilhões.






