O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que irá fechar a fronteira do Brasil com a Venezuela. A justificativa dada é a pandemia do novo coronavírus, o Covid-19. O anúncio foi feito nesta terça-feira (17), mas só inclui o trânsito de pessoas. Mercadorias podem passar.
A portaria que oficializa a decisão deve ser publicada na quarta-feira (18) no Diário Oficial da União (DOU).
“Publica no Diário Oficial de amanhã a questão de fechar aí a fronteira com a Venezuela, que é a mais sensível”, declarou, ao chegar no Palácio da Alvorada, segundo informa a Folha de São Paulo.
“Amanhã (quarta-feira) tem a portaria. O tráfego de mercadorias vai continuar acontecendo. Se fechar o tráfego com Venezuela, a economia de Roraima desanca”, acrescentou.
Comparativo de casos
O estranhamento da decisão do presidente se dá em base de números. A Venezuela tem 33 casos confirmados do Covid-19. O Brasil, até o boletim da Organização Mundial da Saúde (OMS) das 20h do dia 17 de março, tinha 321 casos, com uma morte e dois pacientes recuperados. O Ministério da Saúde compilou apenas 291 casos, mesmo assim são 8 vezes mais infectados do que o país vizinho.
Na tarde de segunda-feira (16), o presidente da Venezuela, no regime chavista, Nicolás Maduro, decretou quarentena para todo o país a partir do dia seguinte. O objetivo é reagir contra a pandemia do coronavírus.
Já o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou algumas iniciativas para o combate ao coronavírus, como, por exemplo, retornar a campanha para ajuda humanitária aos venezuelanos, até mesmo com a solicitação de coleta de kits de higiene para auxiliar à população.
Pedido do governador
O governador de Roraima, Antônio Denarium (PSL), bolsonarista, pediu o fechamento da divisa. Ele solicitou formalmente ao governo federal, via ofício, a interdição da fronteira do estado. Não somente com a Venezuela, como também com a Guiana, devido à ameaça de transmissão de coronavírus.
A Guiana tem, no mesmo relatório da OMS, identificados 7 casos, com uma morte confirmada. Mas o Brasil não fechou a fronteira com a Guiana, apenas com a Venezuela, o que causa mais estranhamento.
A Folha informa que “a Venezuela e o Brasil partilham apenas 90 quilômetros de linhas convencionais — o restante, mais de 2.000 quilômetros, é divisão de águas. Há apenas uma passagem fronteiriça entre os dois países: entre as cidades de Pacaraima (em Roraima) e Santa Elena de Uairén”.
Demais fronteiras
Ao contrário da maioria dos países afetados pela pandemia – já são mais de 150, incluindo territórios – o governo brasileiro não vê motivos para fechar as fronteiras para estrangeiros.
Bolsonaro citou o caso da linha entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
“É uma fronteira seca. Se não prestar atenção, você não sabe quando está no Paraguai ou está no Brasil. E não tem como evitar o tráfego ali, porque é brasileiro casado com paraguaia, uma família que vive ali. É quase uma conurbação, são cidades gêmeas. impossível separar”, disse.
Casos semelhantes ocorrem na fronteira entre a Suíça e a Itália, por exemplo, e ambos os países tomaram a decisão que o Brasil se recusa a tomar.
“Se a gente tivesse o poder de fechar a fronteira como muitos pensam, não teria entrada de drogas nem armas no Brasil”, argumentou.
Além desse argumento, Bolsonaro insiste que tudo não passa de uma “histeria”: “é isso que eu sempre preguei. Se for para histeria, ficar todo mundo maluco, as consequências serão as piores possível. Em alguns países já têm saques acontecendo. Tem que ter calma, vai passar. É como uma gravidez, um dia vai nascer a criança. E o vírus ia chegar aqui um dia, acabou chegando”.
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