Uma das maiores demandas do eleitorado que levou Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, a luta contra a corrupção não teve evolução sob seu governo. Em novo ranking divulgado pela organização não-governamental Transparência Internacional, nessa quinta-feira (23), o Brasil ocupa a 106ª posição em uma lista de 180 países com relação à percepção da corrupção.
O país caiu uma posição em comparação a 2018, quando estava em 105º lugar. Em 2017, estava em 98º. A pontuação do Brasil, entretanto, manteve-se em 35 em 2019, tal como no ano anterior, em escala que vai de 0 a 100, sendo 100 muito íntegro e 0 altamente corrupto.
O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) é o principal indicador de corrupção no setor público do mundo. É produzido desde 1995 pela Transparência Internacional.
O índice é feito a partir de levantamentos e pesquisas de 12 instituições de credibilidade internacional, como o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento e a fundação alemã Bertelsmann Stiftung.
O Brasil
Segundo o site da ONG, “os 35 pontos da nota brasileira equivalem ao valor mais baixo desde 2012 — ano em que o índice passou por alteração metodológica e passou a permitir a leitura em série histórica. Com esse resultado, o Brasil caiu mais uma posição no ranking de 180 países e territórios, para o 106º lugar. Este 5º recuo seguido na comparação anual fez com que o país também atingisse sua pior colocação na série histórica do índice. Em 2018, o país já havia perdido dois pontos e caído nove posições”.
Na série histórica, o Brasil atingiu a melhor nota, 43, durante o governo de Dilma Rousseff, em 2012 e em 2014.
“Em 2018, o Brasil saiu das eleições com resultados claramente influenciados por essa pauta”, segue a ONG. “O elevado índice de renovação política se deu com a vitória de candidatos que tinham baseado suas campanhas em fortes discursos anticorrupção. O país, no entanto, atravessou 2019 sem conseguir aprovar reformas que atacassem de fato as raízes do problema”.
De acordo com a ONG, o diagnóstico para tal desempenho fraco do país, é que “poucos avanços e retrocessos em série aconteceram no arcabouço legal e institucional anticorrupção do país. No último ano, por exemplo, uma decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) que praticamente paralisou, durante metade do ano, o sistema de combate à lavagem de dinheiro do Brasil”, referindo-se ao caso em que o ministro Dias Toffoli, julgando um pedido da defesa do filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, suspendeu temporariamente todas as investigações nas quais dados financeiros e fiscais detalhados tenham sido compartilhados por órgãos de inteligência, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), sem autorização judicial.
“Viu-se ainda um aumento das tentativas de interferência política do Palácio do Planalto nos órgãos de controle, com substituições polêmicas na Polícia Federal e Receita Federal e nomeação de um Procurador-Geral da República fora da lista tríplice”, segue.
“No Congresso Nacional, foram aprovadas leis na contramão do combate à corrupção, como, por exemplo, a que criou mecanismos que enfraqueceram ainda mais a transparência de partidos e o controle do gasto público em campanhas eleitorais”, conclui.
O ranking
Os países “mais íntegros”, segundo o ranking da ONG, são a Dinamarca e a Nova Zelândia, empatados em primeiro lugar, com 87 pontos; seguidos da Finlândia, a terceira colocada, com 86 pontos; Cingapura, Suécia e Suíça, com 85 pontos; a Noruega, com 84; a Holanda, com 82; e Alemanha e Luxemburgo, com 80. Todos esses estão no topo da lista, considerados muito íntegros.
O melhor país sul-americano é o Uruguai, com 71 pontos, na 21ª posição, acima da França e dos Estados Unidos (ambos com 69 pontos). O Chile é o segundo do continente, com 67 pontos e 26ª posição. A Argentina aparece na 66ª, com 45 pontos, empatada com Bielorrússia, Montenegro e Senegal.
O Brasil aparece na 106ª posição, empatado com Albânia, Argélia, Costa do Marfim, Egito, Macedônia e Mongólia.
Os piores do ranking são Venezuela, em crise política e social, com 16 pontos, na 173ª colocação (junto com Afeganistão, Guiné Equatorial e Sudão); o Iêmen, com 15 pontos e 177ª posição; a Síria, devastada pelo Estado Islâmico recentemente, com 13 pontos, na 178ª colocação; Sudão do Sul, com 12 pontos e em 179º lugar; e, na rabeira, a Somália, com apenas 9 pontos, um oásis de corrupção.
Dos Brics, a África do Sul é a melhor colocada, em 70º, com 44 pontos; seguida da China e da Índia, ambas em 80º, com 41 pontos; então, Brasil e, daí a Rússia, em 137º lugar, com 28 pontos.






