As instalações de tecnologias de armazenamento de energia de longa duração (LDES, na sigla em inglês) no mundo ultrapassaram 15 GWh em 2025, um crescimento de 49% na comparação anual, segundo relatório da Wood Mackenzie, consultoria especializada em energia.
Apesar do avanço, o setor ainda sofre com a combinação de queda no financiamento, juros elevados e competição das baterias de íon-lítio tem dificultado a expansão dessas tecnologias.
O relatório Long Duration Energy Storage Trends aponta que o armazenamento de ar comprimido (CAES), o armazenamento térmico e as baterias de fluxo de vanádio (VRFB) responderam por 45%, 33% e 21% das instalações no ano.
Mesmo assim, o LDES representou apenas 6% das novas instalações globais de armazenamento de energia em 2025.
A liderança no setor continua concentrada na China, que responde por 93% da capacidade instalada, impulsionada por políticas públicas voltadas ao armazenamento e à expansão das energias renováveis.
Baterias de lítio dominam o mercado e falta de financiamento
Apesar da evolução das tecnologias de longa duração, as baterias de íon-lítio continuam dominando o setor de armazenamento de energia.
Segundo a Wood Mackenzie, elas devem manter cerca de 85% de participação no mercado global até 2034.
A principal razão é o custo. Projetos de baterias de lítio apresentam preços significativamente menores do que tecnologias alternativas, o que mantém sua competitividade especialmente no mercado de 4 a 8 horas de armazenamento, hoje o principal segmento da indústria.
Outro obstáculo é o financiamento. O relatório aponta que o volume de recursos destinados ao setor de LDES caiu cerca de 30% em 2025, enquanto os investimentos de venture capital recuaram 72%.
Analistas apontam que o ambiente de juros elevados e a competição por capital com projetos de infraestrutura elétrica e centros de dados ligados à inteligência artificial têm reduzido o apetite dos investidores.
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Brasil começa a avançar
No Brasil, o mercado de armazenamento de energia ainda é pequeno, mas começa a ganhar espaço.
O governo estuda realizar o primeiro leilão de megabaterias do país, com contratação potencial de até 2 GW de capacidade, o que pode movimentar cerca de R$ 10 bilhões em investimentos.
A iniciativa busca ajudar a equilibrar o sistema elétrico, que vem enfrentando excesso de geração solar durante o dia e maior demanda no período noturno.
Hoje, o Brasil possui cerca de 900 MWh em projetos de armazenamento instalados ou contratados, capacidade considerada limitada para o tamanho do sistema elétrico nacional.
WEG aposta no setor
O avanço das tecnologias de armazenamento também abre espaço para empresas brasileiras.
O negócio de sistemas de armazenamento em baterias (BESS) é visto como um dos vetores de crescimento da WEG (WEGE3).
Segundo análise do BTG Pactual, o armazenamento de energia tende a se tornar um componente cada vez mais importante em sistemas elétricos baseados em fontes renováveis.
Executivos da companhia avaliam que o segmento pode ganhar relevância semelhante à do mercado solar nos próximos anos, impulsionado pela transição energética.






